Porto Velho (RO) segunda-feira, 22 de abril de 2019
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Política - Nacional

PF investiga envolvimento de dirigente do PT paulista na armação de dossiê


Jailton de Carvalho - Agência O GloboBRASÍLIA - A Polícia Federal está investigando o suposto envolvimento de um integrante da Executiva do PT de São Paulo na compra do dossiê produzido pelo empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin, o chefe da máfia dos sanguessugas, contra os candidatos do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra, e a presidente, Geraldo Alckmin. O dirigente petista seria o destinatário final do dossiê. A PF intensificou as investigações sobre a origem do dinheiro, aproximadamente US$ 248 mil e R$ 1,1 milhão, que seria usado para pagar o dossiê.Em sua defesa, o PT divulgou uma nota atribundo a acusação contra o partido a uma tentativa de desestabilizar a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. Já o PSDB faz pressão para que a PF divulgue o nome de quem encomendou o dossiê contra os tucanos, a origem do dinheiro e quem o receberia.A suspeita contra o dirigente petista foi levantada pelo empresário Valdebran Carlos Padilha da Silva, filiado ao PT desde 2004, e pelo agente policial aposentado Gedimar Pereira Passos, em depoimento à PF em São Paulo na sexta-feira à noite. Os dois citaram também o nome de um doleiro que teria fornecido o dinheiro. Padilha e Passos foram presos num quarto do hotel Ibis, perto do aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Padilha estava com US$ 109 mil e R$ 758 mil. Passos foi flagrado com US$ 139 mil e R$ 410 mil. A polícia suspeita que o dinheiro seria usado para pagar o dossiê contra Serra e Alckmim.- A Polícia Federal vai descobrir para quem seria o dossiê e de onde veio o dinheiro - afirmou neste sábado o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.O ministro está mantendo o presidente Lula informado sobre o andamento das investigações, inclusive da suspeita sobre o comando do PT. Numa entrevista em Acaraju, Lula classificou o uso de dossiê contra adversários políticos de bandidagem. Para Thomaz Bastos, o uso deste tipo de expediente em campanhas eleitorais é uma "burrice monumental".A PF está, desde sexta-feira, tentando localizar o doleiro que teria repassado dólares e reais para Padilha e Passos. Para a polícia, é possível que o nome do doleiro tenha sido inventado numa manobra para retardar o esclarecimento do caso.Nesta segunda-feira, a polícia deverá depositar os reais apreendidos numa conta na Caixa Econômica Federal. Os dólares serão levados para o Banco Central. Portar dinheiro em espécie não é crime, mas, como parte dos recursos é moeda estrangeira, Padilha e Passos terão que se explicar.- Agora inverteu o ônus da prova: eles vão ter que dizer de onde, de fato, vieram esses dólares - afirmou o superintendente da PF em São Paulo, Geraldo Araújo.O procurador da República no Mato Grosso, Mário Lúcio Avelar, está acompanhando de perto as investigações da PF. Para ele, tudo indica que Valdebran Padilha e Gedimar Passos estavam apoiados numa forte estrutura financeira.- R$ 1,7 milhão é muito dinheiro. Não é qualquer um que pode se dispor de uma quantia dessas - afirma.

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