Porto Velho (RO) segunda-feira, 20 de agosto de 2018
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Pesquisa mostra importância de classes C, D e E para cartões de crédito


Lino Rodrigues, Agência O GloboSÃO PAULO - As classes C, D e E devem impulsionar fortemente a participação dos cartões de crédito no consumo das famílias brasileiras. É o que mostra pesquisa divulgada, nesta quarta-feira, pelo Ibope Inteligência, durante conferência sobre meios de pagamento. Pelo estudo, a participação do chamado dinheiro de plástico no consumo total vai passar dos atuais 13% para 18,3% nos próximos quatro anos. Em valores, significará um salto de R$ 150 bilhões para R$ 210 bilhões. Para efeito de comparação, em 2000, essa participação era de pouco mais de 7%.-O mercado vai continuar crescendo, mas a oferta precisa ser mais adequada ao perfil de consumo aspiracional das classes C, D e E, afirmou o diretor-executivo do Ibope Inteligência, Marcelo Coutinho.Segundo ele, boa parte dessa expansão terá de acontecer com a conquista dos consumidores das classes C, D e E, que juntas representam 89% da população brasileira, mas detêm apenas 31% do consumo nacional. Se for levada em conta apenas os consumidores das classes D e E, o percentual é ainda menor: são 48% dos brasileiros, mas 7% no consumo das famílias do país. Para o Ibope, a classe C é composta por consumidores com renda familiar entre R$ 900 e R$ 1.500. Quem recebe menos de R$ 900 está classificado nas faixas D e E.Os setores de alimentação eletroeletrônicos, turismo e lazer aparecem na pesquisa como os mais promissores para o uso do cartão entre as classes da base da pirâmide social. Atualmente, eles ainda gastam mais com tabaco, alimentação, higiene doméstica, casa e decoração e materiais de construção.-Dentro do consumo das famílias, o cartão de crédito tem ainda muito espaço para crescer, disse ele.Os números da expansão do dinheiro de plástico nos últimos seis anos são expressivos: de 2000 a 2006, enquanto o PIB cresceu 15%, o volume de transações com cartões de crédito saltou 103%. Na classe C, o número de consumidores que passaram a utilizar cartão dobrou entre 2001 e 2006. Na D e E, a participação saiu de 13% para 33%. Mas crescer nas classes de menor poder aquisitivo não tem sido tarefa fácil, apesar da expansão da renda dessas famílias, que se beneficiaram da redução dos índices de inflação nos últimos anos. Segundo dados da administradora Credicard, existem hoje 15 milhões de cartões de crédito nas mãos de consumidores com renda mensal inferior a R$ 500. No começo da década, eram apenas 5 milhões. Para o executivo do Ibope, os bancos e as administradoras de cartões ainda têm muita dificuldade em encontrar uma linguagem apropriada para atrair esse consumidor.- É um desafio para as administradoras se relacionarem com esse público, disse o executivo, lembrando que a experiência dos clientes das classes C e D com bancos, por exemplo, geralmente é marcada por uma relação de confronto.Outro ponto importante é o fator risco nessas classes menos favorecidas, onde qualquer distúrbio mais sério na economia pode afetar drasticamente o consumo de pessoas que mal entraram no mercado.- Essas pessoas convivem com a fragilidade da estrutura econômica, aponta Coutinho, dando como exemplo um episódio recente de uma família de baixa renda que perdeu quase tudo que tinha dentro de casa depois de uma enchente no bairro onde morava.-Qual será a prioridade dessa família: o pagamento das prestações do computador recém-comprado para os filhos ou garantir a sobrevivência após a tragédia?

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