Porto Velho (RO) sexta-feira, 30 de outubro de 2020
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Política - Nacional

Para analistas, Planalto terá que corresponder a apoio recebido na Câmara


Luisa Guedes - Agência O Globo RIO - Os primeiros ecos da eleição de Arlindo Chinaglia (PT-SP) para a presidência da Câmara não serão ouvidos no Congresso, mas sim no Palácio do Planalto. Cientistas políticos entrevistados pelo GLOBO ONLINE divergem sobre as possíveis feridas abertas na oposição ou na base governista, mas concordam que, para colher os benefícios políticos do resultado, o Executivo terá que ser hábil na montagem do novo Ministério. - O acordo de poder PT-PMDB ficou definitivamente selado e os dois maiores partidos vão exigir maior presença no governo. A maior conseqüência [da eleição na Câmara] é essa: os dois partidos cresceram politicamente perante o Executivo - avalia o cientista político Marcos Figueiredo, do do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). Ao ser perguntado nesta sexta-feira sobre a reforma ministerial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não tem pressa para anunciar as mudanças na sua equipe. Entre os analistas, a força conquistada por PMDB e PT é indiscutível. Mas, ao contrário de Figueiredo, o cientista político Murilo Aragão, presidente da empresa de consultoria Arko Advice, acredita que o resulta aponta para um racha na coalização do governo. - A base governista começa a legislatura fragilizada e dependente de uma reação curativa que virá com as reformas. Se a reforma ministerial for bem feita, será capaz de curar as feridas. Vai depender do Executivo - diz Aragão. Para ele, a oposição também terá trabalho para se reunificar, já que PSDB e PFL não souberam aproveitar a divisão dos partidos governistas entre as candidaturas de Chinaglia e de Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Segundo o cientista político, além das seqüelas típicas do período eleitoral, o suposto acordo entre o PT nacional e diretórios estaduais do PSDB também está por trás do racha na oposição. - Entraram na agenda interesses específicos de Minas, São Paulo e Bahia, do PSDB em especial. Com isso, a oposição se dividiu. Apesar de não ter dado apoio declarado a Chinaglia, a oposição deu votos suficientes para ele se eleger - diz Aragão. Figueiredo também lista o acordo de petistas e tucanos entre os fatores decisivos para o resultado das eleições na Câmara. Ele aposta, no entanto, que a aproximação será breve. - O PSDB pode se aproximar do PT, mas é um movimento precário e temporário. Não se pode esquecer que eles são adversários históricos disputando o mesmo lugar, principalmente em São Paulo, que é a grande arena das disputas. Para a comentarista Lúcia Hipólito, a liberdade dada a bancada tucana no segundo turno foi suficiente para determinar o resultado e também responsável pelas feridas abertas na oposição. - Vai deixar cicatrizes não só na base aliada. Quem foi decisivo para eleger Chinaglia foi o PSDB de José Serra, a partir do momento que o novo líder, Antônio Carlos Pannunzio (SP), anunciou que iria liberar a bancada do partido - avaliou Hipólito, em comentário à Rádio CBN. Na opinião da comentarista, Chinaglia vai ter um trabalho árduo para desvincular sua imagem dos deputados envolvidos no escândalo do mensalão e dos sanguessugas, que apoiaram sua campanha. - Chinaglia vai ter um trabalho grande para desfazer essa má impressão, e recuperar a autoridade da Câmara, como ele mesmo disse, que anda muito arranhada - disse. O cientista político do Iuperj lembra que Chinaglia tem a seu favor o fato de não ter sido citado nos escândalos de corrupção. Figueiredo acrescenta que o governo está em posição mais confortável por ter conseguido a maioria na Câmara e diz ainda que a disputa entre Aldo e Chinaglia não deixou mágoas. - Aldo se mostrou magoado porque perdeu. Isso não terá repercussão para a próxima legislatura. Pode ter para Lula - conclui Figueiredo.

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