Porto Velho (RO) segunda-feira, 9 de dezembro de 2019
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Política - Nacional

Operação Titanic combate importações fraudulentas de carros de luxo


 

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Adriano Scopel (foto) é proprietário, junto com o pai, da TAG importadora de veículos
O procurador da República no Espírito Santo, Helder Magno da Silva, responsável pelas investigações que resultaram na operação Titanic revelou que o esquema comandado pelo empresário Adriano Scopel (foto) tem ramificações em Rondônia. No Estado, Scopel tinha benefícios referentes ao recolhimento de ICMS. Segundo o procurador, o filho do governador de Rondônia, Ivo Júnior Cassol, 27 anos, também foi detido nesta manhã, acusado de facilitar o esquema de sonegação de impostos. Outro detido em Rondônia, foi o suplente de senador Expedito Júnior (PR-RO). O procurador não descarta o envolvimento do governador de Rondônia, Ivo Cassol no mesmo esquema. Ainda em Rondônia, foi detido um auditor da Receita Federal, identificado apenas como Carlos.

Dos 23 mandados de prisão expedidos pela Justiça, o único que falta ser cumprido pede a prisão do empresário capixaba Antônio Cláudio Diniz de Oliveira dos Santos, conhecido como Baducho. Ele está nos Estados Unidos e deve ser detido pelo FBI.

A Polícia Federal, com o apoio do Ministério Público Federal, iniciou hoje, 7, a operação “Titanic”, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa instalada no cais do porto localizado em Vila Velha, especializada na importação subfaturada de veículos de luxo.

A investigação, iniciada há um ano, revelou a participação de servidores públicos, empresas exportadoras sediadas no Canadá e Estados Unidos, uma empresa importadora do Espírito Santo, despachantes e intermediários. Em dois anos foram importados mais de R$ 21 milhões em carros de alto luxo. Apenas em 2007, aproximadamente 190 veículos chegaram ao Brasil de forma fraudulenta. Estima-se em mais de R$ 7 milhões o prejuízo com a falta de pagamento dos tributos, sem considerar o acréscimo de multa e juros.

Entre os modelos importados estão Ferraris, Lamborghinis, Porsche, Nissan Infiniti, entre outros. Houve também importação fraudulenta de mais de 50 motos de luxo.

Foram mobilizados 160 policiais federais e oito auditores da Receita Federal para cumprir 54 mandados de busca e apreensão e cerca de 20 mandados de prisão nos Estados do Espírito Santo, Rondônia, São Paulo e Minas Gerais.

Os presos responderão por evasão de divisas, crime contra a ordem tributária e contra o sistema financeiro nacional, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, entre outros. Se condenados, os responsáveis podem pegar mais de 30 anos de prisão.

No ES

Capitaneada pelo empresário capixaba Adriano Mariano Scopel, proprietário da empresa Tag Importação e Exportação de Veículos Ltda., uma das maiores importadoras de veículos de alto luxo do país, a quadrilha utilizava o Terminal Portuário de Peiú, um dos mais importantes da Região Metropolitana de Vitória, como pátio de negócios, no qual atuava sem qualquer interferência.

O detentor da exploração da concessão do terminal de Peiú é o pai de Adriano, o empresário Pedro Scopel, sócio do filho na Tag Importação e Exportação. Os dois estão presos na Superintendência da Polícia Federal, em São Torquato, Vila Velha.

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Adriano Scopel, acompanhado de agentes federais durante a prisão dele em Vila Velha
Adriano Scopel foi encontrado na residência dele, na Praia da Costa, Vila Velha. Para entrar, os policiais federais tiveram que arrombar a porta do apartamento. Na saída, o empresário deu a seguinte declaração: "essa prisão é injusta". Scopel, algemado, foi conduzido à sede da Superintendência da Polícia Federal no Espírito Santo, em São Torquato, Vila Velha. O pai dele foi detido na própria residência, no bairro Mata da Praia, em Vitória. Outra pessoa foi detida na Ilha do Frade, em Vitória. O nome ainda não foi divulgado.

De acordo com informações do Ministério Público Federal, só no último ano, a sonegação fiscal praticada pela organização criminosa resultou em um prejuízo aos cofres públicos de pelo menos R$ 7 milhões. As investigações revelaram que a fraude se dava com a participação de empresários brasileiros e estrangeiros, contadores, servidores públicos, advogados e corretores de câmbio.

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Marreta utilizada para arrombar a porta do apartamento de Adriano Scopel
Entre os crimes cometidos pela quadrilha estão corrupção de servidores públicos, contabilidade fictícia, inserção de informações falsas em contratos de câmbio com vistas a promover evasão de divisas, descaminho, lavagem de bens e capitais, corrupção passiva e tráfico de influência. Empresas situadas nos Estados Unidos e no Canadá também contribuíram para que a fraude fosse efetivada.

Para escapar da fiscalização estatal, a quadrilha conseguiu montar em torno de si uma espécie de escudo graças à concessão de vantagens ilícitas a servidores públicos, entre os quais estão quatro auditores fiscais da Receita Federal, três deles do Espírito Santo, e um servidor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Comando

Adriano Scopel controlava todas as vertentes de atuação dos demais membros da quadrilha. Para a efetivação da fraude, ele se utilizava do corpo funcional da Tag Importação e Exportação, mas a organização criminosa também possuía tentáculos no exterior e em diversos órgãos públicos brasileiros.

Adriano Scopel controlava as compras dos automóveis e das mercadorias de luxo no exterior, a cotação de câmbio para a realização das operações, a cooptação de empresas responsáveis pela remessa de dinheiro ao exterior, a contabilização dos lucros e a distribuição de propina.

Para o Ministério Público Federal, a decretação da prisão temporária dos principais integrantes da quadrilha é fundamental para a completa elucidação dos fatos. A prisão temporária tem duração de cinco dias e serve principalmente para a oitiva dos investigados e para evitar qualquer movimentação que tumultue a coleta de provas.

Investigações

As investigações da Operação Titanic tiveram início em janeiro de 2007 inicialmente para apurar notícias quanto ao registro irregular de embarcações junto à Capitania dos Portos do Estado do Espírito Santo. O aprofundamento das investigações, entretanto, acabou revelando indícios da prática de diversos outros crimes, especialmente em relação à importação subfaturada de veículos e bens de alto luxo.

De acordo com informações do Ministério Público Federal no Espírito Santo, no curso das investigações, surgiram indícios da prática de crime de violação de sigilo funcional pelo então Superintendente da Polícia Federal no Espírito Santo, Geraldo Guimarães. O Ministério Público Federal solicitou a instauração de novo inquérito policial para a apuração do caso e pediu que as testemunhas, entre elas o ex-superintendente da PF, sejam ouvidas logo no início das investigações.

Luxo e destaque na sociedade

Gente de OpiniãoUm iate avaliado em US$ 1,6 milhão, que pertencia ao empresário Daniel Marostica, foi preso na Operação Farrapos desencadeada em São Paulo. A embarcação esteve no Espírito Santo desde o final do ano passado, quando foi vendida para o empresário capixaba Adriano Scopel. A lancha esteve retida na Capitania dos Portos por determinação da 6ª Vara Federal de São Paulo, que expediu um mandado de seqüestro do bem enquanto as investigações estiverem em andamento.

Marostica é considerado o braço direito do megatraficante colombiano Juan Carlos Ramirez Abadia, de 44 anos, também preso na operação Farrapos. As empresas de Marostica serviam para lavagem de dinheiro de Ramirez.


Lancha, Lamborghinis e agressão


Os empresários Adriano Scopel e o pai, Pedro Scopel, são proprietários da TAG Importadora – empresa responsável pela importação, em outubro do ano passado, dos seis Lamborghinis apreendidos pela Polícia Federal em São Paulo.

O valor total dos seis Lamborghinis apreendidos no Salão doGente de Opinião Automóvel, segundo a Polícia Federal, chegava a R$ 7,8 milhões. O valor do desfalque em tributos que teria sido causado pela importação irregular dos automóveis, segundo cálculos da época, atingia R$ 1,1 milhão.

Caso de agressão à dentista 

Adriano Scopel também foi indiciado por lesão corporal e tortura psicológica sob a suspeita de agredir a dentista F., 26 anos, dentro do prédio da vítima na Mata da Praia, em Vitória, após um acidente de carro, ocorrido no final de setembro de 2006. Na época, Scopel negou ter participado das agressões a destista. "O que mostram as imagens que vocês viram? Se alguém a agrediu, não fui eu", declarou o empresário.

Adriano Scopel afirmou, por telefone, que não participou das agressões à dentista. "O que mostram as imagens que vocês viram? Se alguém a agrediu, não fui eu. Também não recebi intimação da polícia para prestar depoimento. Por isso, não fui à delegacia", disse Scopel.

As imagens gravadas pelas câmeras de TV do prédio mostram que um rapaz com as características físicas de Scopel agrediu tanto o porteiro quanto a dentista. Toda a ação foi registrada pelo circuito interno do edifício.
 

FONTE:  Redação Gazeta  
GUIDO NUNES -LETÍCIA CARDOSO
 

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