Porto Velho (RO) segunda-feira, 20 de agosto de 2018
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Política - Nacional

Nomeação de Requião emperra decisão sobre novo ministro da Agricultura


Agência O Globo BRASÍLIA - Um compromisso de campanha do governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), tem ajudado a emperrar a decisão sobre o novo ocupante do Ministério da Agricultura, depois que o deputado federal Odílio Balbinotti foi levado a desistir do cargo por ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).O problema do governador é mandar para o Congresso o filho do empreiteiro Cecílio do Rego Almeida e suplente de deputado federal, o engenheiro Marcelo Almeida. Ele gostaria que Requião garantisse a nomeação de um deputado pemedebista do Paraná para o Ministério da Agricultura de Lula, para assumir uma vaga na Câmara. Com patrimônio declarado de R$ 85 milhões, Almeida obteve 84,6 mil votos em 2006 com gastos de R$ 1,16 milhão. E foi doador da campanha de Requião ao governo. Ex-diretor-geral do Detran-PR, ele ocupa hoje a Secretaria Estadual de Obras Públicas.Procurado, o secretário não foi encontrado pela reportagem, mas a assessoria de imprensa dele confirmou que o desejo de Almeida é ir para Brasília. Negou, entretanto, qualquer pressão sobre Requião.Na lista que o presidente do PMDB, Michel Temer (SP), levou ao presidente Lula ontem à noite o nome do deputado Reinhold Stephanes (PR), de fato, era o mais cotado. Ex-ministro da Previdência no governo Fernando Henrique Cardoso, tem boa relação com petistas do Estado, como o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) e o presidente de Itaipu, Jorge Samek. Na lista, também constavam os deputados Tadeu Filipelli (DF), Moacir Micheletto (PR), Eunício Oliveira (CE) e Waldemir Moka (MS)." Se fosse apostar em alguém, apostaria nele (Stephanes). Ele faz o que o Requião quer " , afirmou Moka. Segundo ele, Stephanes tem uma " forte ligação " com o governador Requião e tem o apoio de bastidores do governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR). " Os dois estão jogando juntos " . Ele lembra que Maggi é paranaense e reservou-se o papel de " avalista " do novo ministro da Agricultura.Como outro nome de consenso, e também do Paraná, o que também resolveria o problema do suplente Marcelo Almeida, aparece Moacir Micheletto. Ruralista histórico, tem forte apoio de entidades do setor e de organizações cooperativistas. No quinto mandato consecutivo, tem formação em Agronomia e participa ativamente do lobby ruralista. Nascido em Xanxerê (SC), tem base política em Assis Chateaubriand, na região oeste do Paraná. Está no Congresso desde 1991. Teve atuação polêmica na área ambiental quando propôs a redução dos percentuais de área de preservação permanente e de reserva legal na Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. Por isso, sofre forte rejeição de ONGs. E não tem a preferência do governador Requião. É o relator da proposta de mistura obrigatória de adicionar fécula de mandioca na receita do pão francês.Preferido da bancada ruralista do Congresso, Moka sofre um veto pessoal do ex-governador Zeca do PT. Primo de Moka e amigo pessoal de Lula, Zeca pediu neste fim de semana ao presidente que não nomeasse o deputado. Disse que o PT do Estado sairia ainda mais enfraquecido com a nomeação e que complicaria a estratégia de campanha para as eleições municipais de 2008. O principal adversário é o PMDB de Moka e do governador André Puccinelli. O PT tem hoje 15 prefeituras - Dourados e Corumbá são as mais importantes. " Não tem veto do Zeca ao nome dele " , nega o deputado federal Vander Loubet (PT-MS), primo de ambos. " Me parece que existe, sim, uma disputa interna entre o PMDB do Paraná e dos outros Estados " .Antes de entrar para uma reunião com Lula para decidir o nome do novo ministro, o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), afirmou que Micheletto não constava, inicialmente, da lista de sugestões, mas disse que se Lula fizer essa opção o partido não faria objeção. Segundo ele, o partido " está aberto " a discutir novos nomes. O presidente do partido, Michel Temer, porém, não descartou nenhum nome da bancada de deputados.(Mauro Zanatta | Valor Econômico. Colaboraram Marli Lima, de Curitiba, e Paulo de Tarso Lyra, de Brasília)

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