Porto Velho (RO) quarta-feira, 14 de novembro de 2018
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Política - Nacional

Lula tem vantagem no placar, mas a bola está no campo de Alckmin, dizem analistas


Rodrigo Pinto - Agência O Globo RIO - Como definiu o comando de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, "faltou muito pouco" para uma vitória no primeiro turno. Mas a vantagem de Lula não se traduz em favoritismo. Pelo contrário, se algum candidato pode-se dizer vitorioso, este é Geraldo Alckmin (PSDB). Esta é a opinião de analistas consultados pelo GLOBO ONLINE. Segundo eles, as novas acusações contra o partido do presidente e seus auxiliares - o chamado "escândalo do Dossiê" - e a ausência de Lula nos debates foram decisivos para levar o a eleição ao segundo turno, o que parecia impossível há 15 dias atrás.Se Lula parte de uma vantagem de mais de 6,5 milhões de votos, Alckmin mostrou fôlego na reta final, conquistou mais de 41% do eleitorado. Por outro lado, se o PSDB confirmou a eleição de governadores nos dois maiores colégios eleitorais do país - São Paulo e Minas - o PT surprendeu ao levar o pleito no primeiro turno em quatro estados e deverá ter a maior bancada na Câmara. O jogo vai ser duro. Que o eleitor não espere, dizem os analistas, o chamado "Fair play".- Lula vai radicalizar a comparação entre seu governo e o dos tucanos - prevê o cientista político e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, Paulo Roberto Figueira Legal. - E Alckmin jogará todas as cartas no discurso mais duro do que o do primeiro turno. Será uma campanha mais violenta em torno da questão da moralidade por parte dos tucanos - prevê.Para o cientista político, a nova crise, provocada pelo suposto dossiê contra candidatos tucanos, "reaviva" a velha crise ética iniciada com o chamado "mensalão", que parecia distante do PT. Com isso, o candidato do PSDB ganhou combustível para avançar em segmentos do eleitorado nos quais Lula já encontrava mais dificuldade.Se as novas acusações por um lado impediram a vitória de Lula no primeiro turno, nota Figueira Leal, por outro lado "azedaram" de vez a possibilidade de um entendimento entre governo e oposição que permita um debate propositivo e o chamado pacto de consertação no novo mandato, seja qual for o vencedor:- O cenário político foi muito envenenado. E será mais ainda com a ocorrência do segundo turno, de forma que a consertação é uma possibilidade remota, retórica de campanha - diz.Uma nova eleição com o já conhecido clima ruim O cientista político Geraldo Tadeu Monteiro, presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social, recorre um velho chavão da política para qualificar a disputa que virá: - Segundo turno, como se diz, é outra eleição - afirma, para ponderar: - Ao mesmo tempo, ninguém despreza o que houve no primeiro turno. Lula parte de quase 49% dos votos válidos. A maneira como os candidatos chegam à nova votação é que é diferente. Alckmin aparece como vitorioso por forçar o segundo turno quando ninguém imaginava possível. E teve uma votação alta, 41% dos votos válidos. E o presidente Lula chega como grande derrotado, porque tinha a eleição assegurada e não levou no primeiro turno - avalia.Tadeu Monteiro não acredita que a comparação entre o governo Lula e o de Fernando Henrique Cardoso beneficie Lula, como insistem alguns integrantes do comando de campanha do presidente. E afirma: a reeleição do presidente depende só dele.- Se Lula comparar governos, perderá identidade popular e dialogará no mesmo diapasão de Alckmin, da eficiência, das realizações de governo. O perfil de gerente favorece o Alckmin.Para o presidente do IBPS, o candidato do PT tem que se movimentar para esquerda, voltar a ser qo que era em 2002, se aproximar dos movimentos sociais, se apresentar como candidato da justiça social para, assim, conquistar eleitores de Heloísa Helena (PSOL) e Cristovam Buarque (PDT).- O presidente também paga um pouco o preço da soberba, por ter faltado a quase todos os debates e sabatinas. Agora, terá que enfrentar isso se quiser ganhar. E, claro, fazer campanha - diz o analista, que lembra que, na campanha, Alckmin esteve em 139 cidades, contra 39 visitadas pelo presidente.

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