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Política - Nacional

Lula diz que não vai aceitar 'soluções simplistas' para a Previdência


Eliane Oliveira e Geralda Doca - Agência O Globo BRASÍLIA - Em discurso durante o lançamento do Fórum Nacional da Previdência Social, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não vai admitir soluções simplistas para os problemas previdenciários do país. Lula concordou com as avaliações de que há trabalhador que se aposenta cedo demais, mas afirmou que também há empregados que começam a trabalhar com 14 anos ou menos. O ministro da Previdência, Nelson Machado, afirmou que não há motivo para uma corrida às aposentadorias, porque os direitos adquiridos serão respeitados. - Isso sem contar o trabalho escravo. Tem cidadão que começa a trabalhar com 12, 13 anos, embora isso seja contra a lei. Tem trabalhador que fica numa sala com ar-condicionado, outros trabalham na fundição - disse. Lula disse que o grande objetivo do fórum é fazer um diagnóstico da situação da Previdência no país, "sem paixão", apenas com base nos números. O presidente também garantiu que a última palavra sobre possíveis mudanças na Previdência será do Legislativo. Segundo ele, não há mágica nem medidas simplistas que resolvam o déficit da Previdência. - A única coisa que não posso e não vou admitir é que alguém apresente saídas simplistas para a Previdência Social. "Ah, tem muito roubo na Previdência Social?" Menos do que parece. E o censo que estamos fazendo está mostrando isso - afirmou Lula. Quanto à idade mínima para aposentar, Lula disse que o fórum vai trabalhar com a responsabilidade de um país que quer mostrar ao povo que pode se sentir seguro no futuro. Lula defendeu também o pagamento de benefícios aos aposentados como forma de combater a violência. - Se não estívessemos pagando para milhões de aposentados, teríamos que construir mais cadeia e contratar mais policiais - disse. No final, Lula brincou com o ministro da Fazenda, Guido Mantega: - Você que é o homem do Tesouro, fique tranqüilo porque, dentro de algumas gerações, o futuro ministro da Fazenda não precisará se preocupar com isso. Ministro diz que direitos adquiridos serão respeitados O ministro da Previdência, Nelson Machado, disse que o fato de a sociedade e o governo começarem a discutir mudanças no sistema previdenciário não deve servir de motivo para que todos corram para a aposentadoria. Segundo ele, toda reforma nesse sentido deve prever uma regra de transição longa. - Nenhuma reforma previdenciária desrespeita o cidadão. Não há necessidade de correr para a aposentadoria, pois qualquer mudança previdenciária deve prever uma regra longa de transição. Afinal, não é possível voltar ao tempo e mudar o que foi planejado de repente - disse. O fórum, que está sendo instalado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva é formado por represetnantes dos trabalhadores, do empregadores e do governo federal, que terão seis meses para apresentar uma proposta ao Congresso Nacional. O fórum vai estudar cenários futuros de trabalho e de sustentação previdenciária. Entre suas incumbências está a definição da idade adequada para aposentadoria e das contribuições previdenciárias. Os trabalhos serão realizados em três etapas: a primeira, para fazer um diagnóstico; a segunda, para discutir grandes temas; e a terceira, para formular propostas. O ministro da Previdência estima que em 2050 haverá cerca de 14 milhões de pessoas com mais de 80 anos no país. Por isso, ele defendeu um novo pacto entre gerações. Atualmente, o INSS paga cerca de R$ 12,6 bilhões por mês a 24,6 milhões de aposentadorias, pensões e auxílios.

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