Porto Velho (RO) sábado, 14 de dezembro de 2019
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Política - Nacional

ÍNDIOS FAZEM OPERÁRIOS DE USINAS REFÉNS


 CUIABÁ, Mato Grosso – Índios fazem operários de usinas reféns para cobrar seus direito. Cerca de 350 trabalhadores das obras do complexo de pequenas centrais hidrelétricas, que estão sendo construídas ao longo do Rio Juruena, em Mato Grosso, seguem reféns dos índios Enawenê-Nawê e também dos Münkü – grupo cujas terras são adjacentes da Reserva Indígena Salumã. No sábado, os índios liberaram no final da tarde as estradas vicinais que dão acesso às propriedades rurais da região. Amanhã, terça-feira, haverá uma reunião para discutir a libertação dos reféns e a questão das obras. 
A liberação ocorreu após as autoridades presentes garantirem a presença do vice-presidente e diretor de Assistência da Funai, Aloysio Guapindaia e do procurador da República, Mário Lúcio Avelar, representando o Ministério Público Federal.
Os índios não aceitam negociar sem a presença do MPF. Participarão da reunião também os superintendentes da Casa Civil e Sema, Rômulo Vandoni e Salatiel Araújo, pelo Estado e o prefeito de Sapezal, João César Borges Maggi. O protesto não é contra o funcionamento das usinas, já que todos os procedimentos estão corretos, com todos estudos aprovados, inclusive com o acompanhamento da Funai e Ministério Público Federal.
De acordo com Rômulo Vandoni, os indígenas reclamam da forma de distribuição da compensação financeira para comunidades afetadas com a construção das PCHs. "São cinco etnias envolvidas e três delas estão questionando o valor distribuído por igual tanto para as comunidades mais próximas quanto àquelas mais distantes, isso provocou a revolta das etnias que se sentiram prejudicadas", afirmou Vandoni.

Primeiro a Funai

ÍNDIOS FAZEM OPERÁRIOS DE USINAS REFÉNS - Gente de Opinião
Em setembro, os Enawenê-Nawê foram a Cuiabá cobrar seus direitos /DIÁRIO DE CUIABÁ

Os índios cobram um estudo de distribuição paralelo, por parte dos órgãos competentes. Eles querem discutir a forma dessa divisão dos recursos financeiros (compensação), que no caso é repassado para a Funai e depois revertido em benefícios das referidas etnias. 
      
A preocupação no momento é com a segurança das 350 pessoas que estão mantidas reféns, já que o clima na região é tenso. Os índios, segundo Vandoni, receberam as equipes armados com arco e flecha, inclusive atingindo alguns veículos com flechadas. A Polícia Militar acompanha o processo, sem intervir, para evitar um confronto e garantir a integridade dos reféns. 
      
Os trabalhadores das usinas estão sendo mantidos no pátio da empresa. No final da tarde de ontem foi autorizada a entrada de comida para os reféns e a garantia, de que caso seja necessário, será permitida a entrada de ambulância no local. 
Rômulo Vandoni acredita numa solução pacífica, embora reforce a necessidade de que todas as autoridades citadas na negociação estejam presentes na reunião de terça-feira. "Nesse primeiro momento de manifestação foram 120 homens e a tensão é grande no local, a promessa é que caso não haja uma solução cerca de 300 índios venham para a região e isso poderá complicar", destacou.
 
Em agosto o Greenpeace foi expulso da área

Juína situa-se a 748,9 quilômetros de Cuiabá e tem 38 mil habitantes. Nessa região vivem os Enaweê-Nawê.

Em agosto, fazendeiros da região expulsaram dali nove membros do Greenpeace, da Operação Amazônia Nativa (OPAN) e os jornalistas franceses Elsa Guiol e Eric Dessons, do Le Jounal du Dimanche. Eles queriam chegar à terra indígena para uma reportagem sobre as áreas de desmatamento na floresta e a atuação das ONGs na região.


Segundo nota divulgada recentemente por Paulo Adário, do Greenpeace, assim que o grupo chegou e se hospedou em um hotel da cidade, alguns fazendeiros foram interrogá-los, de início cordialmente.  Queriam saber se eram antropólogos de um grupo de identificação da área do Rio Preto, território requerido pelos Enawenê-Nawê à Funai.

A área que os indígenas pedem que seja transformada em reserva engloba várias fazendas da região, apesar de ser um trecho tradicionalmente indígena, de onde eles retiram seus peixes e o jenipapo, fruta com a qual fazem rituais considerados sagrados.

"A cidade é dos brancos", avisam autoridades

 
Representantes dos índios foram a Cuiabá, em setembro, para denunciar às autoridades ameaças e preconceito que vêm sofrendo na região, em virtude do possível estudo para identificação de uma área de pesca cerimonial que seria reintegrada à terra indígena. Segundo denúncias de ambientalistas e funcionários da Funai, as ameaças são feitas a todos que trabalham com a etnia.

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Um dos índios, Menakalessene Enawene, contou que eles não conseguem mais ir até a cidade de Juína para passear ou qualquer outra atividade, porque, quando encontram vereadores, fazendeiros e até o próprio prefeito, Hilton Campos, são avisados de que a "cidade não é de índios. A cidade é dos brancos". 
  

Fonte: 24 HORAS NEWS e AGÊNCIA AMAZÔNIA

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