Porto Velho (RO) terça-feira, 3 de agosto de 2021
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Igreja Católica oferece apoio para deslocados que fogem de confrontos na Colômbia


Vladimir Platonow
Enviado especial


Tabatinga (AM) - Para quem deixou para trás praticamente tudo a fim de escapar da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e de grupos paramilitares, a fronteira Colômbia-Brasil é uma das saídas. Na cidade colombiana de Letícia, unida à brasileira Tabatinga (AM) por uma avenida, os deslocados encontraram na Igreja Católica o apoio necessário para recomeçar a vida.

“O Brasil generosamente abriu as portas para dar o status de refugiado ao colombianos, devido à violência que se vive nesse país. Mas os deslocados são a parte mais vulnerável que temos nesta cidade. Ficam aqui, em trabalhos informais para viver”, diz o padre Gonzalo Franco, pároco de Tabatinga, e coordenador da Pastoral da Mobilidade Humana do Alto Solimões.

Nascido na Colômbia, padre Gonzalo conhece de perto os efeitos devastadores que a guerrilha provocou em seu país. Diariamente, ele visita as obras de uma casa que está sendo construída somente para abrigar refugiados e deslocados, tanto colombianos vítimas da guerra, quanto peruanos que buscam novas oportunidades de vida.

Quando estiver pronta, a casa vai ter alojamento e escritório para receber os imigrantes. Os gastos, prevê padre Gonzalo, deverão ser divididos com os poderes públicos locais. “Estamos fazendo parcerias com as prefeituras de Letícia, de Tabatinga e de municípios do Peru, para ajudar na manutenção da casa.”

Do outro lado da fronteira, em Letícia, o trabalho com os refugiados e deslocados fica a cargo do padre Savalla. Para ele, o problema se resolve com três coisas básicas: “Os deslocados necessitam de terra, casa e trabalho”.

Aos 44 anos de idade, padre Savalla praticamente passou toda sua vida em um país em guerra. Mas ele faz questão de manter acesa a esperança de que, um dia, os deslocados vão poder retornar às suas casas. “Alguns inclusive já retornaram com êxito”, disse.

Perguntado se acredita que o fim do confronto está próximo, responde: “As pessoas têm que amadurecer. A guerra não pode ser o pão de cada dia em nenhum país. Todas as partes têm que ceder. O governo tem que ceder, a sociedade civil tem que se fortalecer e o pensamento da esquerda tem que se reformar por dentro. Há outras alternativas diferentes das armas para responder a um Estado que abandonou o povo".

Sobre as Farc, ele diz que o grupo se desviou da ideologia inicial. “Eles perderam o norte, abandonaram sua luta social e a trocaram por uma luta territorial pelo controle do narcotráfico. Por isso que em quase toda zona de combate tem sempre um carregamento de cocaína e um laboratório. Tem uma disputa territorial dos grupos guerrilheiros entre si. Grupos guerrilheiros com narcotraficantes e grupos guerrilheiros com os paramilitares. Eles têm em comum o narcotráfico”.

Para ele, o Brasil tem um papel fundamental a desempenhar na pacificação da Colômbia. “No Brasil há um equilíbrio entre a esquerda e a direita e, por isso, pode ser um país muito importante em um diálogo de paz. É um país no qual a guerrilha acredita e o governo também”, disse.

 

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