Porto Velho (RO) segunda-feira, 30 de novembro de 2020
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Política - Nacional

Ex-presidente FH faz carta aberta aos eleitores do PSDB


Diana Fernandes - Agência O Globo BRASÍLIA - Em carta endereçada aos eleitores do PSDB, divulgada no site do partido nesta quinta-feira, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez uma espécie de balanço dos erros e acertos dos tucanos. Admitiu dificuldades em convencer a maioria do eleitorado brasileiro sobre os argumentos do seu grupo político e desferiu novos ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT, responsáveis, segundo ele, pelos desmandos e corrupção no país. Sem pedir votos para o presidenciável tucano, Fernando Henrique defende que Geraldo Alckmin parta para o confronto com o presidente Lula, afirmando que o primeiro tem condições morais e éticas que o segundo não tem. Apontando como primeiro erro "ter tapado o sol com a peneira" no caso de caixa dois na campanha do então governador de Minas Eduardo Azeredo, em 1998, o ex-presidente disse que não foram também suficientemente firmes na denúncia política "de todo esse descalabro" no momento adequado. "Não será agora, durante a campanha eleitoral, que conseguiremos despertar a população. Mas, para nos diferenciarmos da podridão reinante, temos a obrigação moral de não calar." Manifestando mais uma vez descontentamento com o ritmo e o tom da campanha de Geraldo Alckmin, o ex-presidente cobra: "Nosso candidato à Presidência tem as mãos limpas. Tem história de seriedade. Por que não bradar isso com força ? Por que não fazer o contraponto com o outro lado. Nada a temer nem a esconder. Enfim: faltam condições morais a um e sobram a outro. Essa é a diferença." Afirmando que o PSDB não pode se calar diante do "descalabro" e que essa diferença moral é o ponto de partida para recuperar o reconhecimento público do valor da política e o legado do PSDB, Fernando Henrique sugere a derrota do partido nas eleições: "Ainda que o eleitorado não nos acompanhe neste momento, deixaremos as marcas de nosso estilo, de nossas atitudes, para calçar um futuro melhor para o país". Citando os casos de corrupção ocorridos no governo Lula, o ex-presidente diz que a indignação fica maior quando se vê o presidente da República passando a mão na cabeça dos que errara, "com a desculpa de que todos são iguais ou, então, em versão mais sofisticada da mesma falta de vergonha, dizerem que a culpa é do sistema". "Pagar mensalão é crime e como crime deve ser tratado. (...) O próprio Presidente, que é responsável pelos ministros, não tendo atuado para demiti-los nem depois do fato sabido, é passível de crime de responsabilidade", diz Fernando Henrique, que fala também que o sentimento de impunidade desmoraliza tudo, desanima a população e dá a impressão de que o povo é indiferente à corrupção: "Não é indiferença, é descrença na punição". Ainda criticou a política fiscal de Lula, afirmando que agora, diante da conjuntura eleitoral veio a bonança às custas do futuro: "Não havendoincremento significativo dos investimentos (...) e havendo a ampliação do gasto público, é só a conjuntura internacional mudar e pagaremos o custo da crise fiscal, das ineficiências acumuladas, da falta das reformas". Fernando Henrique também cobrou dos companheiros tucanos a defesa de atos de seu governo: "Não podemos continuar meio envergonhados cada vez que o PT e seus aliados falam de "privataria". Privatizamos sim, e nada temos a esconder no processo de privatização". Defendeu ainda posição mais clara do PSDB sobre a política externa e concluiu: "Em suma, se quisermos exercer uma liderança renovadora precisamos manter antigos compromissos democráticos, radicalizando-os, através da reforma política; precisamos reatar os fios entre o partido e a sociedade; (...) romper os vínculos ideológicos que ainda nos prendem à visão estatista-desenvolvimentista e rechaçar todas as formas de populismo; sustentar políticas que reduzam a pobreza até sua eliminação, gerando empregos sem contentar-nos com o necessário assistencialismo e sem ficarmos embaraçados com a forma capitalista do crescimento da economia".

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