Porto Velho (RO) sexta-feira, 22 de junho de 2018
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Política - Nacional

Dossiê: PF investigará se dinheiro veio do bicho


Agência O GloboCUIABÁ e BRASÍLIA - A Polícia Federal e a CPI dos Sanguessugas investigam a suspeita de que parte do R$ 1,7 milhão apreendido com integrantes do PT para a compra de um dossiê contra candidatos tucanos pode ter vindo do jogo do bicho ou outra atividade irregular. Segundo integrantes da CPI que se reuniram com o delegado da PF Diógenes Curado Filho, a suspeita baseia-se em dois fatos: há uma grande quantidade de dinheiro em cédulas de pequeno valor, como notas de R$ 5, R$ 10 e R$ 20. Essas cédulas não seriam novas, o que demonstra que já circularam. Outra informação considerada relevante pelos parlamentares é que o carimbo que aparece nas fitas, e que se pensava tratar-se de agências bancárias, pode, na verdade, remeter a bancas do jogo do bicho. Em um maço de notas há um carimbo com os dizeres "Caxias 118" e, em outro, "Campo Grande 119". As duas referências podem ser de locais no Rio de Janeiro.- Há indícios de que parte dos recursos sejam provenientes do jogo do bicho principalmente por causa das fitas, que é um procedimento típico nesse tipo de atividade - disse Carlos Sampaio (PSDB-SP).Mas a suspeita não envolve só o jogo do bicho:- Pelo volume de recursos e notas miúdas isso pode ter vindo de casas de bingo, casas lotéricas, grandes armazéns que negociam em centros comerciais das principais cidades do centro sul e do sudeste. Nós entendemos que toda pista deve ser apurada, deve ser investigada - explica o deputado Paulo Rubem Santiago, PT-PE - Talvez nunca seja encontrada a origem de parte desse dinheiro, porque certamente são recursos de origem ilícita.O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) também afirmou que a PF vê indícios de que parte do dinheiro possa ter como origem o jogo do bicho. Uma fonte da própria Polícia Federal confirmou que na conversa com os deputados o delegado informou ser essa uma das linhas de investigação. O delegado Diógenes, porém, não se manifestou sobre o encontro com os parlamentares. Segundo a PF, foram integrantes da CPI que levaram a suspeita de uso de dinheiro do bicho na compra do dossiê. Como considerou a suspeita pertinente, a PF decidiu abrir essa linha de investigação. De acordo com Santiago, há suspeitas de que os recursos possam ter vindo de várias fontes.Com base nas informações obtidas com a Polícia Federal, Carlos Sampaio disse acreditar que será infrutífero continuar insistindo para que o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) identifique sacadores de recursos que excederam R$ 100 mil.- Não temos de perguntar ao Coaf sobre a origem do dinheiro. Temos de perguntar ao PT, uma vez que o dinheiro é de origem ilícita e não declarada.Os parlamentares tiveram acesso a fotos da mala apreendida com o dinheiro e, segundo eles, é a mesma que aparece nas filmagens do hotel em poder de Hamilton Lacerda. Em depoimento à PF, Lacerda havia dito que apenas levara um laptop para Gedimar Passos, além de boletos para recebimento de recursos contabilizados para a campanha.PF aposta nas conversas telefônicas para saber de onde veio o dinheiroA Polícia Federal pediu nesta segunda-feira à Justiça Federal do Mato Grosso autorização para quebrar o sigilo telefônico de 650 linhas que podem ter relação com a origem do dinheiro do dossiê. No total, a PF já solicitou a quebra do sigilo telefônico de 720 linhas. Entre elas, está a do telefone público próximo à casa de câmbio Confidence, no aeroporto de Florianópolis, em Santa Catarina.Os policiais que participam da investigação suspeitam que possa ter vindo da Confidence parte dos US$ 248 mil que seriam usados para comprar do empresário Luiz Antônio Vedoin um dossiê contra os tucanos.Os policiais têm dois indícios de que isso poderia ter acontecido. Do telefone público saiu uma ligação para um dos seis investigados dos quais a PF já tem os extratos telefônicos. Além de Gedimar e Valdebran, a PF investiga o ex-chefe do serviço de inteligência do PT Jorge Lorenzetti, que é de Santa Catarina; o ex-diretor do Banco do Brasil Expedito Veloso, o ex-assessor de Ricardo Berzoini (presidente licenciado do PT) Osvaldo Bargas, e o ex-assessor do presidente Lula Freud Godoy.Ao quebrar o sigilo do telefone público, o objetivo da PF é descobrir se foram feitas outras ligações para algum dos outros envolvidos no caso daquele número. A rede de casas de câmbio Confidence, uma das maiores do país, também recebeu regularmente parte do lote de US$ 15 milhões do Banco Sofisa de onde saiu uma parcela de US$ 110 mil do dinheiro apreendido com os dois petistas, segundo a PF.Em nota enviada ao GLOBO, a Confidence afirmou que não participou de qualquer operação ilegal: "Informamos que no período investigado pela Polícia Federal compramos dólares do Banco Sofisa S/A, assim como fazemos diariamente durante os dez anos de existência da Confidence, não apenas do Sofisa, mas também de outros bancos, para atender as vendas efetuadas no varejo para clientes da corretora. (...) Todo o procedimento, tanto de compra junto ao banco, assim como a venda para nossos clientes foi feita de maneira segura e legal, atendendo totalmente as normas estipuladas pelo Banco Central e seguindo rigidamente as normas internas de Compliance", diz a nota.O diretor da Confidence, Valter Morais, informou que as regras do BC impedem que a corretora venda dólares em espécie em lotes maiores de R$ 10 mil.O departamento de inteligência da PF do Mato Grosso ainda analisa os dados referentes a quebra do sigilo telefônico de Hamilton Lacerda, ex-assessor de Aloizio Mercadante, candidato petista derrotado ao governo de São Paulo. Dependendo do que for encontrado nesta análise, podem ser feitos novos pedidos de quebra de sigilo.De acordo com a PF, com a quebra será possível verificar as ligações feitas e recebidas por suspeitos de envolvimento no caso, como Jorge Lorenzetti, Expedito Veloso, Osvaldo Bargas e Hamilton Lacerda. Os quatro foram expulsos do PT em decisão da executiva nacional do partido. O delegado que comanda as investigações, Diógenes Curado, afirmou que optou por este caminho porque seria mais lento tentar descobrir de onde veio o dinheiro por meio da quebra de sigilo bancário. A PF pretende esclarecer o caso antes do segundo turno das eleições.

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