Porto Velho (RO) quarta-feira, 16 de janeiro de 2019
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Política - Nacional

Desfecho da crise começou a ser arquitetado no final da tarde


Agência O Globo RIO - O defecho da crise dos controladores de võo, cujo acordo foi fechado à meia-noite, começou a ser desenhado no fim da tarde de sexta-feira. O Comando da Aeronáutica decidiu fazer valer o regulamento militar e prender os transgressores, que se recusassem a trabalhar. O Ministério Público Militar foi acionado e foi dada ordem para expedição de mandado de prisão. Todos os controladores foram convocados e confinados num salão, e a Aeronáutica chamou controladores de Defesa Aérea para assumir o controle da aviação civil. Mas, como eles não estão preparados, a Força recuou.Quando a operação de repressão já estava em andamento, ela foi abortada por Lula. Foi convocada uma reunião no Palácio do Planalto para debater a crise aérea, da qual participaram o comandante da Aeronáutica, o chefe do gabinete de Lula, Gilberto Carvalho e os ministros Jorge Félix (Gabinete de Segurança Institucional), Paulo Bernardo (Planejamento) e Franklin Martins (Comunicação Social).Dia caóticoA sexta-feira foi problemática nos aeroportos brasileiros, porque, desde cedo, os operadores de vôo deflagraram uma operação-padrão com controle de fluxo de aviões, ou seja, redução do número de aeronaves no ar.O clima esteve tenso no aeroporto de Brasília. Passageiros que esperavam o fim da greve dos controladores aéreos causaram tumulto em vários pontos do aeroporto. Bastante nervoso, o empresário Éder Viana, que deveria embarcar ao Rio às 17h, pichou com batom as expressões "Chega!" e "Fora Lula!" nas paredes de vidro que delimitam a entrada da sala de embarque.A TAM divulgou um comunicado pedindo aos passageiros que adiassem suas viagens.Pousos e decolagens foram suspensos antes das 20h em todos os aeroportos do país, quando o Cindacta-1 parou de funcionar. A Infraero confirmou que não haveria mais nenhuma decolagem em aeroportos do território nacional nesta sexta-feira, em virtude da greve dos controladores aéreos, que a Aeronáutica chamou de "motim". Os controladores afirmaram que as aeronaves que estavam no ar iriam pousar com segurança. No entanto, alguns vôos internacionais foram cancelados ou transferidos para aeroportos em outros países. No aeroporto de Brasília, os passageiros que já estavam nos aviões foram desembarcados.A suspensão das operações de decolagem começou, segundo fontes militares, em todo o Cindacta 1, centro de controle responsável por 80% do tráfego aéreo no país e de toda a região Sudeste. Logo em seguida, a Aeronáutica confirmou a informação. Com isso, foram inicialmente afetadas as operações nos aeroportos de Brasília e de Cumbica, em São Paulo.No aeroporto internacional de Cumbica, em Guarulhos (SP), as decolagens foram suspensas no início da noite. Segundo informações do aeroporto, a torre de controle obedeceu a uma ordem do Cindacta-1, localizado em Brasília, que determinou a suspensão da decolagem das aeronaves para as regiões centro-oeste e norte. Os vôos para outras regiões também foram afetadas. Passageiros de um vôo que partiria para Fortaleza foram obrigados a desembarcar do avião em Cumbica.O vôo de estréia da rota da TAM para Milão não decolou do aeroporto de Cumbica (SP) no horário previsto para as 19h, e o avião, que seguiu os procedimentos de decolagem, aficou aguardando autorização para a decolagem.Por volta das 18h, as companhias aéreas foram informando aos passageiros que o aeroporto de Brasília estava fechado para decolagens. Na pista, 13 aviões se acumulavam no solo, sem perspectivas de liberação. No Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, as decolagens para o Nordeste e Norte do país foram suspensas. No entanto, estavam autorizadas as decolagens para a Região Sul.AquartelamentoEm Brasília, os profissionais militares ficaram aquartelados desde o meio-dia de sexta-feira. Eles decidiram permanecer voluntariamente por tempo indeterminado no Cindacta I, a central de controle de tráfego aéreo da capital. O ex-presidente da Associação dos Controladores de Vôo de Brasília, disse que a categoria fazia greve de fome. Fontenele foi a pessoa autorizada a dar informações em nome dos controladores.O Cindacta 1 ofereceu um almoço de confraternização com churrasco para comemorar o Dia do Meteorologista e do Especialista, mas os operadores se recusaram a comparecer. Nem mesmo o lanche que a organização normalmente oferece a quem está de serviço foi aceito pelos militares, o que alimenta rumores de que eles pretendem entrar em greve de fome.O sindicato que reúne os controladores civis, que representam cerca de 10% das categoria, divulgou nota para apoiar o protesto dos colegas militares e anunciar que podem entrar em greve na segunda-feira.- Não confiamos nos nossos equipamentos e não confiamos nos nossos comandos, dizia o documentoSegundo a Infraero, dos 1.460 vôos previstos para entre 0h e 19h desta sexta-feira, 263 tiveram mais de uma hora de atraso, o que representava 18% do total programado. Clique aqui e acompanhe a situação dos aeroportos.O ministro da Defesa, Waldir Pires, se reuniu pela manhã com o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), da Infraero, e representantes da Aeronáutica.Após a reunião, Waldir Pires, disse que o governo ainda não estava negociando com os controladores de tráfego aéreo militares. Ao ser perguntado sobre o aquartelamento voluntário, o ministro disse que era um direito dos controladores permanecer no local de trabalho. Mas que não tinha uma resposta imediata para todos os problemas. Disse ainda que as autoridades estavam elencando os problemas e soluções para apresentar ao presidente.- Não podemos admitir uma impaciência na resolução de problemas institucionais - afirmou.Ele também disse que a solução sairia "o mais breve possível". O prazo seria entre dez e 15 dias.SorteO ministro da Defesa, Waldir Pires, não enfrentou grandes problemas nos aeroportos e embarcou às 17h30 desta sexta-feira para o Rio de Janeiro. Ao ser perguntado se a situação estaria resolvida até a semana Santa, o ministro respondeu:- Nós merecemos isso. Vocês merecem, o povo brasileiro merece. E nossos esforços e nossos deveres são para dar essas condições ao povo brasileiro - disse o ministro.O que ele não contava era que seria chamado de volta a Brasília para tentar resolver a crise.

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