Porto Velho (RO) segunda-feira, 23 de setembro de 2019
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Política - Nacional

Cresce número de prefeitas, mas mulheres ainda são minoria



As mulheres continuam minoria na política, mas o Brasil terá no próximo ano mais prefeitas do que atualmente. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 498 mulheres foram eleitas prefeitas de seus municípios já no primeiro turno das eleições deste ano. Esse número representa 9,16% do total de candidatos eleitos para as prefeituras. Em 2004, esse índice foi de 7,32% e, em 2000, de 5,72%. No total, 12.944 homens e 1.620 mulheres concorreram à eleição para prefeito em todos os municípios brasileiros neste ano. Entre os homens, 4.986 venceram no primeiro turno.

Apesar do aumento de quase dois pontos percentuais nos dados relativos às mulheres na comparação com 2004, a deputada Luiza Erundina (PSB-SP), integrante da bancada feminina da Câmara, considera que é preciso aumentar mais a participação da mulher na política brasileira. "O ritmo é muito pequeno. Para melhorar, os partidos políticos devem contribuir para a capacitação política das mulheres, para que elas tenham melhores condições de disputar eleições", afirma.

Erundina defende a aprovação de projetos com essa finalidade, como o PL 6216/02, de sua autoria, que reserva 30% dos recursos do fundo partidário para a formação política feminina. A proposta também reserva 30% do horário político gratuito para as mulheres.

A parlamentar lamenta o fato de que justamente os partidos não contribuem para mudar a situação. Ela lembra que as siglas não respeitam, por exemplo, a cota de 30% estabelecida para as mulheres nas candidaturas a cargos proporcionais. "O mais grave é que os partidos não são punidos por isso", lamenta. "Nossa educação não é para que a mulher se coloque nos espaços públicos, nos espaços de poder. O grande problema da mulher na sociedade machista é sua invisibilidade."

A cientista política e consultora do Centro de Estudos e Assessoria Feminina (Cfemea) Patricia Rangel faz a mesma ressalva. Ela comemora os avanços da mulher no mercado de trabalho, nas artes e em outras áreas, mas observa que política ainda é território masculino no Brasil. "A política é tradicionalmente uma esfera de atuação masculina, o que não tem fundamento, porque não há diferença essencial entre homens e mulheres", afirma.

Segundo Rangel, é importante que a mulher ocupe cargos majoritários, como o de prefeito, porque dará atenção a políticas voltadas para as mulheres, mais do que prefeitos do sexo masculino. Essas políticas incluem, entre outras, o combate à violência doméstica e a licença maternidade. "Em geral, os homens legisladores não tem a preocupação de beneficiar as cidadãs."

Eleitas

Entre as prefeitas que assumirão em 2009, há duas deputadas federais: Maria do Carmo Lara (PT), em Betim (MG); e Jusmari Oliveira (PR), em Barreiras (BA). Duas capitais do Nordeste também serão comandadas por mulheres. Luizianne Lins (PT) foi reconduzida à prefeitura de Fortaleza. Já Natal terá como prefeita Micarla de Sousa (PV), que derrotou nas urnas a candidata do PT, a deputada federal Fátima Bezerra. "São mulheres [as eleitas] de muito valor, com liderança política, em plena condição de exercer mandatos executivos e que farão a diferença", declara a deputada Luiza Erundina.

Falta definir, em segundo turno, as prefeituras de 79 municípios, e há mulheres concorrendo ao cargo em duas capitais. Em São Paulo, Marta Suplicy (PT) concorre com o atual prefeito, Gilberto Kassab (DEM). Porto Alegre tem na disputa a deputada federal Maria do Rosário (PT) e José Fogaça (PMDB), que concorre à reeleição.

Nestas eleições, apenas mulheres concorreram à prefeitura em muitas cidades do Nordeste, uma região que tem fama de ser machista. Segundo Patricia Rangel, o fato pode resultar, entre outros motivos, de uma competição menos acirrada em municípios de baixa magnitude, ou seja, com menos eleitores. Ela explica que em estados pequenos, como muitos do Nordeste, as chances para as mulheres acabam sendo maiores e elas precisam de menos recursos financeiros para se eleger.

Fonte: Agência Câmara

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