Porto Velho (RO) quarta-feira, 3 de junho de 2020
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Política - Nacional

CNBB e OAB protestam contra aumento de parlamentares


Agência Brasil, Gerson Camarotti - Agência O Globo BRASÍLIA - A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nota defendendo a reforma política, como forma de evitar fatos como a decisão tomada nesta semana pelo Congresso Nacional de aumentar para R$ 24.500 os salários dos parlamentares. "Um salário de R$ 24.500, diante do salário mínimo de apenas R$ 350 sinaliza mais interesses particulares do que a defesa da justiça ou gesto de partilha em solidariedade à população empobrecida", diz a nota. O órgão máximo de representação da Igreja Católica ressalta que são necessários "instrumentos legais para inibir decisões como essa, que obscurecem a dignidade da política". O assunto vai ser abordado nos sermões deste domingo, durante a celebração de missas nas igrejas, em que será feita a pergunta: "O que devemos fazer?". A CNBB lembra que, diante dessa pergunta, o apóstolo João Batista "respondia com simplicidade, oferecendo critérios éticos de ação para a defesa da dignidade da pessoa humana: a partilha, a justiça e o poder como serviço". "Esta decisão dos membros do Parlamento leva a crescer o fosso entre os legisladores e o povo. Acontece que eles foram eleitos pelo povo para o poder-serviço", diz a CNBB. Na nota, presidente da entidade, cardeal Geraldo Majella Agnelo, arcebispo de Salvador, afirmou que a decisão dos membros do Parlamento "leva a crescer o fosso entre os legisladores e o povo". "Acontece que eles foram eleitos pelo povo para o poder-serviço", escreveu o presidente da CNBB. Para o cardeal, o fato do aumento do salário dos parlamentares "nos convoca a um empenho ainda maior para uma urgente Reforma Política". "Precisamos de instrumentos legais para inibir decisões como esta que obscurecem a dignidade da política", observou em seu texto. O secretário-geral da entidade, dom Odilo Pedro Scherer, bispo auxiliar de São Paulo, classificou de "escandaloso" o aumento do subsídio e reforçou a posição tomada pelo cardeal Geraldo Majella. Em entrevista ao Globo, na tarde deste sábado, dom Odilo disse que o fato dos parlamentares aprovarem o aumento de seus próprios salários num valor bem acima da inflação deve ser um tema de reflexão. Principalmente, ressaltou o prelado, porque há dificuldade do governo em conceder um reajuste do salário mínimo, que hoje é de R$ 350. Ele ressaltou ainda o contexto social do país com a disparidade dos salários dos parlamentares. - Essa questão merece uma reflexão da população. É lamentável um aumento tão grande enquanto se briga por uns poucos reais para aumentar o salário mínimo. Essa decisão dos parlamentares é escandalosa. Principalmente, dentro do contexto de uma grande pobreza no país e de uma realidade de baixos salários da maioria da população - ressaltou. Mas dom Odilo disse que não há determinação ou recomendação para que os padres falem sobre o tema nas missas deste fim de semana. Segundo ele, cada sacerdote tem liberdade para escolher o tema de suas homilias. Aumento de parlamentares foi "canetaço", diz secretário da OAB O secretário-geral da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ercílio Bezerra, disse que "indignação" é a palavra mais correta para o aumento dos vencimentos de deputados e senadores. Bezerra afirmou que a medida, "tomada com a complacência dos presidentes da Câmara e do Senado, foi um canetaço, uma certidão negativa e uma brecha para que os Executivos municipais sigam o mesmo caminho". Segundo ele, o reajuste aprovado esta semana significa uma correção salarial de mais de 200%, considerando os três últimos aumentos nos salários dos parlamentares. - A única opção que vemos no momento é estimular a pressão popular, a movimentação dos segmentos organizados para tentar barrar esse abuso. É o caminho que temos para tentar evitar mais esse malefício que o Parlamento promove contra a sociedade brasileira, numa mostra de que perdeu o senso do limite -disse, acrescentando que a OAB deve tomar providências contra o reajuste. - Não é admissível que uma classe receba um aumento exagerado como esse, um salário estratosférico, principalmente quando se vê a vergonha que foi o trabalho dessa última legislatura, desse parlamento, em meio a denúncias de sanguessugas e da existência de mensalão. Para o advogado, os parlamentares aproveitaram-se deste momento, que reúne os festejos de fim de ano e a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em janeiro, e da "pouca memória do povo brasileiro" para aprovar o aumento salarial. - Tentaram colocar isso aí [o reajuste], sabendo que em fevereiro temos novos parlamentares, novas posses, enfim, para que isso caia no esquecimento. E nós esperamos que a sociedade brasileira saiba dizer um não a tudo isso.

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