Porto Velho (RO) quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020
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Política - Nacional

Campanhas mais baratas para evitar caixa dois


Luisa Valle - Agência O Globo Com o objetivo de tornar as campanhas menos onerosas, evitando assim o chamado 'caixa dois', as novas regras das propagandas eleitorais proíbem desde a distribuição de brindes para os eleitores, até a realização dos chamados showmícios, uma das marcas das últimas eleições. Mesmo assim, as medidas parecem não estar causando o efeito esperado pelo TSE. De acordo com o professor Marcos Figueiredo, em vez de diminuir, os candidatos parecem estar dobrando seus gastos. - Pelo o que os candidatos estão apresentando de previsão de gastos, as novas regras só estão fazendo os custos aumentarem. Eles dobram a expectativa de gastos, provavelmente para se proteger de uma investigação pelo uso do caixa dois - disse. O publicitário Carlos Pedrosa concorda com o professor. Para ele, os gastos com a campanha não vão mudar, pois os candidatos vão investir mais em pesquisas, o que pode levar a uma padronização dos candidatos. - Se antes pagavam um Duda Mendonça com R$ 8 milhões, pode ser que agora paguem R$ 5 milhões e invistam o que sobrar em pesquisa. Vão se aprofundar nisso, o que acaba achatando todos os candidatos. Todos ficam com a mesma cara, dizem a mesma coisa. Quando você paga as pesquisas o dinheiro não aparece muito - disse. Ele lembrou que os investimentos com publicidade diminuíram, mas não tanto. De acordo com Pedrosa, a tendência é continuar havendo grandes investimentos, uma vez que as regras estão sendo definidas por pessoas que não entendem como funciona a publicidade: - Vão ter que descobrir maneiras de como causar menos escândalos. Mas não vejo como fazer para diminuir os gastos. Até porque são juristas ou políticos que definem as regras. Quase sempre, eles não entendem como funciona. Legislam sobre o que não conhecem. Além de optar por investimentos menos escandalosos, Pedrosa acredita que, pelo menos nestas eleições, os candidatos vão tentar burlar as leis. - Em Brasília, houve o caso de um candidato que fez um outdoor e tentou se justificar. Ele disse que estava lá desde sua campanha nas últimas eleições e só apareceu depois que caíram as folhas que haviam sido coladas por cima. É o tipo de vício infantil da propaganda. Político não precisa de faixa no meio da rua, não precisa de sujeira. Figueiredo concorda: - Não tenha dúvidas de que o que não estiver previsto na lei, eles vão tentar usar para contornar as regras - concluiu.

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