Porto Velho (RO) quarta-feira, 14 de novembro de 2018
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Política - Nacional

Câmara terá primeiro deputado federal vítima da talidomida


Evandro Éboli - Agência O GloboBRASÍLIA - Entre os 513 deputados da próxima legislatura, a Câmara vai contar, pela primeira vez, com a presença de um parlamentar vítima da talidomida, medicamento que foi muito utilizado para conter o enjôo das gestantes, mas que provocou malformação de feto há algumas décadas. O deputado eleito Gerônimo Ciqueira (PFL-AL), de 50 anos, sofre dessas conseqüências. Ele não tem o braço esquerdo. Tem apenas um pequeno pedaço do braço direito e um único dedo. Gerônimo tem as duas pernas, mas é vítima também do nanismo.Gerônimo é vereador em Maceió e preside a Associação dos Deficientes Físicos de Alagoas (Adefal). Seu nome político é Gerônimo da Adefal, como é conhecido no estado. Nas urnas, este ano, ele recebeu 71 mil votos, e foi eleito deputado deixando para trás políticos conhecidos de Alagoas, como João Caldas (PL), Kátia Born (PSB) e Augusto Farias (PTB). Ele atua há 25 anos nos movimentos em defesa dos portadores de deficiência. É votado em todo o estado.A direção da Câmara dos Deputados tenta se adequar às necessidades do novo parlamentar e já está adotando algumas medidas para facilitar sua atuação. Gerônimo ocupará o gabinete do deputado Leonardo Mattos (PV-MG), que não conseguiu se reeleger. Mattos também é portador de deficiência física. Ele ficou paraplégico aos 22 anos, após um acidente, e se locomove numa cadeira de rodas. O gabinete já está todo adaptado, com portas largas e maior espaço no interior para circulação dos cadeirantes. Outra vantagem é que o gabinete é próximo ao elevador.Mas o gabinete fica no Anexo IV da Câmara, que fica distante do plenário principal cerca de 600 metros. Gerônimo caminha com dificuldade, mas cansa rápido por causa de um problema pulmonar, já que a estrutura pequena de seu corpo comprime o pulmão, o que compromete sua respiração. O Programa de Acessibilidade da Câmara vai colocar à disposição dele uma cadeira de rodas, quando necessário.Gerônimo poderá ter dificuldades no momento de votar e ter que apertar os botões da bancada. Para se identificar no plenário, é usada a digital, e não mais a senha. A digital do único dedo que possui é utilizada em sua carteira de identidade, e será também sua identificação na Câmara. Caso tenha dificuldade em votar, o novo deputado poderá declarar seu voto no microfone, que será validado.Apesar de todos os problemas, Gerônimo formou-se como técnico em edificações. É projetista arquitetônico. Ele explica como consegue trabalhar:- Consigo desenhar com o pedacinho de dedo que tenho e com o auxílio do queixo, onde encosto o lápis. Acredito que não terei tantas dificuldades e talvez não sejam necessárias tantas mudanças assim - disse Gerônimo.Para trabalhar com ele em seu gabinete, Gerônimo trará para Brasília três assessores que também têm deficiência física. Sobre seus planos como parlamentar, ele contou que não irá priorizar apresentação de projetos, mas trabalhará muito pela aplicação da Lei de Acessibilidade dos portadores de deficiência, que já está em vigor, mas não é aplicada na sua plenitude.- Pretendo levantar a questão das políticas públicas para os portadores de deficiência. Não é só uma questão de constuir rampas de acesso, portas largas ou banheiros adaptados. É preciso um trabalho de conscientização da sociedade para que a inclusão ocorra de fato.

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