Segunda-feira, 29 de junho de 2026 - 10h05

O Centro de Integração
Empresa-Escola - CIEE recebeu o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por
meio da Secretaria de Estatísticas e Estudos do Trabalho (SEET), em uma
coletiva de imprensa para a apresentação do diagnóstico em números "Os
jovens no Brasil: Permanências e necessidades de mudança". Baseado nos
dados da PNAD Contínua do 1º trimestre de 2026, o estudo revela um mercado de
trabalho mais formal e com desemprego em queda, mas acende o alerta para a alta
rotatividade profissional e a exclusão social de milhões de jovens.
Paula Montagner, subsecretária de
Estatísticas e Estudos do Trabalho, realizou a apresentação dos dados, que
expuseram onde estão inseridos os 32,9 milhões de jovens entre 14 a 24 anos (15,4%
da população do país). A divisão desse contingente revela que a aposta na
educação continua sendo a regra:
● Só
estudam: 12,8 milhões (39%).
● Só
trabalham: 9,6 milhões (29,1%).
● Estudam
e trabalham: 4,3 milhões (13,2%).
● Não
estudam nem trabalham ("Nem-Nem"): 6,2 milhões (18,7%).
Os números chamam atenção para um
alerta social mais grave sobre o grupo
dos "nem-nem", que registrou alta sazonal subindo de 5,5 milhões no
final de 2025 para 6,2 milhões no 1º trimestre de 2026. O Ministério destaca que
este cenário atinge de forma mais severa as mulheres negras e jovens, que
majoritariamente precisam abandonar seus estudos e trabalho formal para se
dedicar aos cuidados familiares e domésticos.
Outro ponto que o levantamento
trouxe foi a barreira do subemprego e salários baixos. O diagnóstico aponta que
84% dos jovens atuam em funções generalistas, sem exigência de qualificação
específica (como balconistas e escriturários), e a ampla maioria (7,8 milhões)
recebe até 1,5 salário mínimo. Apenas 1 em cada 7 jovens inseridos ocupa postos
de nível técnico ou superior. Sobre a jornada média do trabalhador adolescente,
os números apontaram que é de 27,3 horas semanais - superando em mais de 7
horas o contraturno escolar e disputando diretamente o tempo dedicado aos
estudos.
Sobre esses números, Paula
comenta: “Essa é uma realidade da nossa sociedade, mas precisamos lutar para
que o jovem almeje postos de trabalho maiores e isso exige um esforço
individual de uma maior escolaridade, mas também de uma sociedade que precisa
entender que o jovem tem que chegar lá e facilitar a vida dele para isso e não
criar empecilhos”.
O total de jovens ocupados chegou
a 13,9 milhões, superando o nível pré-pandemia (2019) em 569 mil pessoas. A
taxa de desemprego jovem também caiu pela metade desde o pico de 2021 e
atualmente está em 13,8% para a faixa de 18 a 24 anos e 25,1% para adolescentes
de 14 a 17 anos - ainda assim, o índice dos jovens é 2,4 vezes maior que a
média nacional (5,8%). Somado a isso, 57,8% dos jovens ocupados possuem vínculo
formal de trabalho (carteira assinada), somando 8 milhões de pessoas. A
informalidade recuou para 39,4% entre jovens de 18 a 24 anos, embora ainda
atinja 72,8% dos adolescentes de 14 a 17 anos.
Apesar dos avanços na
contratação, o diagnóstico joga luz sobre as dificuldades de ascensão e
permanência do jovem no mercado: 52% dos adolescentes (14-17 anos) e 38,2% dos
jovens (18-24 anos) permanecem menos de um ano no mesmo trabalho.
Por fim, o relatório do MTE
detalha os desafios e caminhos para uma melhor integração entre o ambiente
escolar e o corporativo: elevar a escolaridade e combater a evasão com
programas como o Pé-de-Meia e EJA profissionalizante, focar no público
"Nem-Nem", desenhando capacitações específicas em EAD voltadas para
meninos e jovens mães, interiorizar as vagas de Aprendizagem para o Norte e
Nordeste, onde a população é proporcionalmente mais jovem e vulnerável e
promover o letramento digital e de IA, preparando a juventude para ocupações de
maior densidade tecnológica e melhores salários.
Para Rodrigo Dib, superintendente
Institucional do CIEE, a exposição dos dados no palco do CIEE reforça o papel
da instituição como ponte integradora entre trabalho e estudo: “A divulgação
desse panorama inédito reforça a relevância da nossa atuação institucional.
Mais do que gerar oportunidades, nosso papel é subsidiar o mercado com
inteligência e conhecimento para impulsionar a empregabilidade jovem.”
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