Porto Velho (RO) sexta-feira, 30 de outubro de 2020
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Política - Nacional

Agricultor espera que Lula reeleito resolva velhos problemas


Roberto Samora - Agência O Globo SÃO PAULO (Reuters) - Os produtores de grãos se viram diante de uma grave crise no governo Luiz Inácio Lula da Silva, e agora integrantes do agronegócio esperam que o presidente reeleito tenha aprendido lições que o levem a agir para devolver a competitividade e o crescimento ao setor. ``A nossa expectativa é de que o governo tenha entendido. Obviamente que com a crise foi dada visibilidade... Mostramos as razões da crise. Quem sabe nossas angústias possam ter se incorporado à equipe do governo'', afirmou Homero Pereira, presidente da Famato (Federação da Agricultura de Mato Grosso). Com o fortalecimento do real frente ao dólar durante o governo Lula, o setor agrícola de Mato Grosso passou do céu ao inferno, pois o câmbio desfavorável às exportações expôs graves ineficiências como os problemas de infra-estrutura e logística do Centro-Oeste. ``Queremos que o governo olhe para a agricultura de maneira definitiva, que termine a BR-163 e a BR-158, que amplie as ferrovias'', disse Rui Prado, presidente da Aprosoja-MT (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso). O governo socorreu o setor com medidas ``paliativas'', segundo Pereira, como a renegociação de dívidas e o apoio à comercialização da soja. Mas muito ainda precisa ser feito para resolver o endividamento, como a agilização da liberação de recursos do FAT Giro-Rural, acrescentou o dirigente. ``Precisamos que as medidas estruturantes sejam concluídas, que o governo resolva com obras o problema de logística'', ressaltou Prado, observando que a ``diminuição de custos'' com melhora na infra-estrutura é fundamental para o setor. Ainda na linha de aumentar a competitividade, os agricultores afirmaram que o governo deveria reduzir a burocracia para aprovação de agroquímicos, diminuir a carga tributária sobre combustíveis, implantar um seguro rural que possa ``assegurar a renda'' e melhorar as condições de financiamento a juros controlados dos grandes produtores. ``No financiamento, os recursos só cobrem 20 por cento da demanda. Oitenta por cento da safra tem de ser financiada no mercado, onde o produtor fica à mercê de juros desleais'', acrescentou Pereira, que é filiado ao PPS, partido que reelegeu em Mato Grosso Blairo Maggi, que apoiou a reeleição de Lula. MENOS AFETADOS TAMBÉM REIVINDICAM Mesmo os setores onde a crise não chegou com tanta força por causa da alta de preços internacionais querem medidas do governo para ampliar os mercados e a competitividade do agronegócio. ``Esperamos que as negociações internacionais para a Alca (Área de Livre Comércio das Américas), que as negociações com a União Européia, que as conversas para a (retomada da) Rodada de Doha sejam levadas mais com ênfase na área comercial do que na política'', disse Ademerval Garcia, presidente da Abecitrus (Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos). ``Seria bom que fosse eliminada a ideologia que permeou as negociações durante o primeiro mandato'', completou ele, pouco otimista sobre uma mudança de postura dos negociadores brasileiros, que poderiam abrir mais mercado para o suco de laranja. Garcia, assim como o diretor executivo do Conselho Nacional do Café (CNC), Alberto Portugal, querem um câmbio mais favorável ao exportador. ``Os agricultores dão alimento barato ao país. Eles deveriam ser recompensados'', disse Portugal. ``O que se espera é que seja estabelecida uma verdade cambial, o que existe hoje é algo fora da realidade'', acrescentou o presidente da Abecitrus. SORRISO AÇUCARADO Entretanto, com o ``boom'' do açúcar e do álcool, o presidente da Unica (União da Agroindústria Canavieira de São Paulo), Eduardo Pereira da Carvalho, afirmou que o setor busca por continuidade da política governamental. ``A reeleição do presidente Lula é um renovado voto de confiança no álcool'', disse ele, que está otimista sobre o aumento da mistura do combustível derivado da cana na gasolina, um ato que ajudaria a sustentar os preços. ''Nós tivemos uma boa relação com o governo nos últimos quatro anos e esperamos que ela continue'', disse Carvalho, notando que Lula tem ajudado a promover o álcool no exterior.

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