Segunda-feira, 18 de agosto de 2025 - 16h00

O
Ministério Público Federal (MPF) celebrou um acordo com representantes da
Fazenda Cachoeirinha, da Prefeitura de Guajará-Mirim (RO), da Fundação Nacional
dos Povos Indígenas (Funai) e do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei). O
objetivo é garantir o direito de passagem de indígenas e servidores públicos
pela estrada que cruza a propriedade privada, localizada no município
rondoniense, para permitir o acesso à Terra Indígena Pacaás Novos.
O compromisso foi formalizado em razão do
isolamento da Terra Indígena durante o período de seca, quando o transporte
fluvial pelo rio Pacaás Novos se torna inviável. A estrada da Cachoeirinha é,
nesses meses, o único caminho viável para acesso à região, tanto para o
deslocamento dos indígenas quanto para a prestação de serviços públicos
essenciais, como saúde, transporte e assistência institucional.
Compromissos e
responsabilidades – Entre os principais pontos do acordo, estão:
• A autorização expressa para uso da estrada e
da balsa da Fazenda Cachoeirinha, mediante aviso prévio e liberação imediata em
casos de emergência;
• A responsabilidade da Prefeitura de Guajará-Mirim pela manutenção da estrada,
garantindo condições adequadas de trafegabilidade durante o período seco;
• A organização, pela Funai, de um calendário de transporte, com estimativa de
até 15 travessias por mês (3 dias por semana) para deslocamento de indígenas;
• O compromisso dos usuários da estrada com o zelo e conservação da
propriedade, incluindo a limpeza do trajeto e o fechamento das porteiras;
Assinado pelo procurador da República Leonardo
Trevizani Caberlon, o acordo foi celebrado no âmbito de um inquérito civil
instaurado pelo MPF para apurar a implementação de medidas que garantam a
efetivação do direito à passagem forçada, previsto no Código Civil, e a
continuidade de serviços públicos em áreas indígenas isoladas.
Inquérito Civil nº 1.31.000.001730/2024-81
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