Segunda-feira, 26 de janeiro de 2026 - 09h55

O
Ministério Público Federal (MPF) obteve, nesta quinta-feira (22), a condenação
de seis integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) em
Rondônia. Eles foram levados a júri popular, iniciado na segunda-feira (19),
por terem tentado matar uma pessoa que acreditavam ser um agente penal federal
em junho de 2020 na capital Porto Velho.
A ação penal foi apresentada contra dez pessoas.
Nesta semana, foram julgados cinco homens e uma mulher. Eles foram condenados
por homicídio tentado e organização criminosa armada, com exceção da mulher,
que foi absolvida, por clemência, do homicídio tentado, mas condenada pela
quadrilha armada. Os cinco homens foram condenados a penas de prisão que variam
de 10 anos e meio a 12 anos e 3 meses de prisão. A mulher, condenada apenas por
organização criminosa, teve pena definida em 3 anos e 6 meses de prisão. Ainda
cabe recurso contra o veredicto. Os quatro acusados restantes devem ser
julgados em abril deste ano.
Representaram o MPF no julgamento o procuradores da
República Reginaldo Trindade, titular do caso, e os procuradores da República
Alfredo Carlos Gonzaga Falcão Junior, Bruno Silva Domingos e Roberto Moreira de
Almeida, que fazem parte do Grupo de Apoio ao Tribunal do Júri do MPF, equipe
preparada e organizada especificamente para dar suporte em julgamentos mais
complexos.
O procurador Reginaldo Trindade destacou a
articulação da instituição para atuar em casos como esse. “Foi uma honra servir
ao lado de colegas tão virtuosos e competentes numa das funções mais
desafiadoras do MPF, que é o júri. Aliás, o MPF inteiro aparelha-se, cada vez
mais, para fazer frente à maior e mais perigosa organização criminosa do país;
contando com aparato e servidores da melhor espécie, alguns dos quais ajudaram,
e muito, no êxito alcançado”, declarou.
Entenda o caso – No
primeiro semestre de 2020, continuando a onda de terror iniciada vários anos
antes, membros do PCC tentaram executar uma pessoa que acreditavam ser um
agente da Penitenciária Federal de Porto Velho. O homem foi atraído por meio de
um perfil falso nas redes sociais e, após conversas íntimas, foi marcado um
encontro amoroso. Na noite de 4 de junho de 2020, o homem aguardava no local
previamente combinado, em sua motocicleta, quando os acusados, que estavam em
três veículos (um Fiat Siena, uma Chevrolet Astra e uma motocicleta não
identificada), surpreenderam-no, disparando diversos tiros de pistola contra
ele, que não chegaram a atingi-lo.
Na
ação penal apresentada à Justiça, o MPF demonstrou que alguns dos acusados
vieram do Paraná para organizar e executar o crime. Em Porto Velho, com ajuda
de membros locais do PCC, alugaram uma casa para servir de base e compraram
celulares, armas, veículos, coletes e todos os demais materiais necessários.
Depois, identificaram placas de vários veículos pertencentes a agentes
integrantes do sistema prisional. Segundo depoimento de um dos acusados, a
ideia era matar ao menos um dentre quatro agentes. O atentado foi mais um
dentre outros já promovidos pelo PCC, antes e depois, em Rondônia e em outros
estados.

O procurador
Reginaldo Trindade apontou a importância da participação dos defensores e do
júri para que o julgamento fosse realizado. “Os advogados e defensores
públicos, competentes e muito habilidosos, de tudo fizeram para que suas teses
fossem acolhidas pelo Conselho de Sentença e, assim, acabaram por elevar, ainda
mais, o sucesso obtido pelo MPF. A grandeza do oponente confere ainda mais
significado e reverência à conquista e, no caso, a vitória foi a realização da
Justiça. E, se já não fosse o bastante, o Conselho de Sentença foi composto por
pessoas do mais alto quilate, que participaram ativamente do julgamento, seja
formulando perguntas, o que demonstrou que estavam bem atentos e cientes de sua
sublime missão de julgar, seja, sobretudo, fazendo anotações, coisa que eu
nunca vi em quase 30 anos de Ministério Público”, afirmou.
Para ele, a
relevância do julgamento se torna ainda maior em razão da violência praticada
pelo grupo criminoso. “A facção criminosa vem crescendo e tentando acuar, cada
vez mais, o Estado brasileiro. O PCC irá até onde encontrar limites. Assim, é
imprescindível que as instituições e a sociedade cumpram o seu papel na luta
por país mais seguro e, por que não dizer, menos refém da alta criminalidade. O
julgamento ora finalizado é um alento na parceria Estado-Sociedade em prol de
um país melhor para todos – um tijolinho nesta guerra formada por batalhas, nem
sempre gloriosas e de final feliz, contra o PCC”, finalizou Reginaldo Trindade.
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