Terça-feira, 25 de setembro de 2007 - 22h02
É tema recorrente na crônica esportiva brasileira, especialmente nas transmissões pela tevê, nas quais tenta-se compensar com estatísticas a ausência de repórteres nos gramados. A violência ocupa nos programas de debates tempo equivalente àquele gasto com a bola parada nos estádios sem que, no entanto, algo de realmente eficaz se consiga fazer a respeito, apesar de toda a verve, ênfase e gritaria dos especialistas.
Pois bem: não sou comentarista, mas também tenho meus palpites a dar, até porque sinto-me lesado quando pago para assistir pela televisão a um jogo no qual a pancadaria ocupa mais espaço do que o futebol. O problema da violência em campo tem jeito sim. Basta punir os clubes de forma bastante simples: sem prejuízo das penas já existentes, como suspensão de jogadores, julgamentos e multas, o clube perderia um ponto na tabela a cada dois cartões amarelos recebidos. Da mesma forma, uma expulsão corresponderia automaticamente a um ponto negativo.
Queria ver se esta palhaçada não teria fim. A própria torcida iria exigir a exclusão dessas antas que se dizem jogadores. E não adianta dizer que futebol é coisa prá macho, que não é. Futebol é coisa prá craque. Não vou argumentar com o sucesso de nossa seleção feminina, pois é outra coisa. Mas um exemplo me vem à memória: a fantástica seleção de Telê Santana foi colocada prá fora pela Itália com três gols de um sujeito de quem diziam estar longe do que se pode classificar como "macho".
O certo é que alguma coisa precisa ser feita. Basta citar a partida Náutico X Sport Recife, realizada domingo num estádio cujo nome nunca foi tão apropriado – "Aflitos". Foram oito cartões amarelos e três vermelhos, segundo informa O Globo. O Náutico, que lidera no Brasileirão deste ano as estatísticas da violência em campo com 83 amarelos e 14 vermelhos, atingiu tal índice naquele jogo, creditando em sua conta quatro amarelos e dois vermelhos. O Sport Recife perdeu o jogo mas fez a sua parte na violência: quatro amarelos e um vermelho.
Se estivesse em vigor a fórmula que estou sugerindo, o Sport sairia do jogo com seis pontos perdidos: dois pelos quatro cartões, um pela expulsão e mais três que deixou de ganhar por perder a partida. O Náutico perderia menos, já que foi o vencedor: dois pelos quatro amarelos e dois pelos dois vermelhos. Ficaria somente com um ponto negativo na tabela. Não tenho a pretensão de botar o ovo em pé. Alguém já deve ter pensado nisso, embora eu não tenha visto qualquer comentário a respeito. Mas, radical ou não, se fosse adotado, o sistema iria oferecer um considerável ganho de qualidade – e de futebol – às atualmente lamentáveis exibições de criminalidade explícita partidas do futebol brasileiro.
Carlos Henrique Angelo é jornalista
e-mail: changelo@brturbo.com.br
Quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)
A cultura do colete salva-vidas
Eu não sei nadar. Consigo, sem problemas, entrar numa piscina para me divertir. Mas se for num grande volume de água, como um lago, o rio

O Martírio silencioso e a Urgência de ver e atuar Um relógio humano marca, a cada onze segundos, uma mutilação genital feminina no mundo. Este não

Acabar o Bolsa Família, por quê?
A sociedade brasileira é uma das mais injustas do mundo quando o assunto é política econômica. Aqui se tem uma das maiores desigualdades so

Lava-jato é café pequeno perto do escândalo do Banco Master
Aí do homem por quem vem o escândalo! Essa passagem está no livro de Mateus, 18,7. Segundo estudiosos da Bíblia, esse “Aí” significa lamento, triste
Quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)