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Violência no futebol pode acabar


É tema recorrente na crônica esportiva brasileira, especialmente nas transmissões pela tevê, nas quais tenta-se compensar com estatísticas a ausência de repórteres nos gramados. A violência ocupa nos programas de debates tempo equivalente àquele gasto com a bola parada nos estádios sem que, no entanto, algo de realmente eficaz se consiga fazer a respeito, apesar de toda a verve, ênfase e gritaria dos especialistas.
 Pois bem: não sou comentarista, mas também tenho meus palpites a dar, até porque sinto-me lesado quando pago para assistir pela televisão a um jogo no qual a pancadaria ocupa mais espaço do que o futebol. O problema da violência em campo tem jeito sim. Basta punir os clubes de forma bastante simples: sem prejuízo das penas já existentes, como suspensão de jogadores, julgamentos e multas, o clube perderia um ponto na tabela a cada dois cartões amarelos recebidos. Da mesma forma, uma expulsão corresponderia automaticamente a um ponto negativo.
 Queria ver se esta palhaçada não teria fim. A própria torcida iria exigir  a exclusão dessas antas que se dizem jogadores. E não adianta dizer que futebol é coisa prá macho, que não é. Futebol é coisa prá craque. Não vou argumentar com o sucesso de nossa seleção feminina, pois é outra coisa. Mas um exemplo me vem à memória: a fantástica seleção de Telê Santana foi colocada prá fora pela Itália com três gols de um sujeito de quem diziam estar longe do que se pode classificar como "macho".
 O certo é que alguma coisa precisa ser feita. Basta citar a partida Náutico X Sport Recife, realizada domingo num estádio cujo nome nunca foi tão apropriado – "Aflitos". Foram oito cartões amarelos e três vermelhos, segundo informa O Globo. O Náutico, que lidera no Brasileirão deste ano as estatísticas da violência em campo com 83 amarelos e 14 vermelhos, atingiu tal índice naquele jogo, creditando em sua conta  quatro amarelos e dois vermelhos. O Sport Recife  perdeu o jogo mas fez a sua parte na violência: quatro amarelos e um vermelho.
 Se estivesse em vigor a fórmula que estou sugerindo, o Sport sairia do jogo com seis pontos perdidos: dois pelos quatro cartões, um pela expulsão e mais três que deixou de ganhar por perder a partida. O Náutico perderia menos, já que foi o vencedor: dois pelos quatro amarelos e dois pelos dois vermelhos. Ficaria somente com um ponto negativo na tabela. Não tenho a pretensão de botar o ovo em pé. Alguém já deve ter pensado nisso, embora eu não tenha visto qualquer comentário a respeito. Mas, radical ou não, se fosse adotado, o sistema iria oferecer um considerável ganho de qualidade – e de futebol – às atualmente lamentáveis exibições de criminalidade explícita partidas do futebol brasileiro.
Carlos Henrique Angelo é jornalista
e-mail:
[email protected]
 

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