Porto Velho (RO) quinta-feira, 22 de agosto de 2019
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Terra de ninguém - Por Professor Nazareno


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Professor Nazareno*
 
Há 37 anos que respiro o ar poluído desta terra amaldiçoada. E há exatos 37 verões que nesta época do ano o oxigênio fica quase irrespirável. E tristemente sempre foi e será assim. Estamos na estação da fumaça, que vem logo após a estação da poeira. Aqui, diferente de muitos outros lugares do mundo desenvolvido e civilizado, as coisas parecem girar ao contrário: lama, poeira, fumaça e mormaço é o oposto do que se conhece como verão, inverno, primavera e outono. A criminosa fumaça das queimadas arde em nossos organismos e nos expõe a doenças evitáveis como rinite alérgica, asma, bronquite, tosse, dentre muitas outras. Esta parte da Amazônia, como uma Hiroxima abandonada e maldita, exala todos os anos vergonhosamente para o mundo, a fumaça de suas ainda poucas matas. E tudo sob o olhar complacente e passivo das autoridades.
 
Rondônia tem INCRA, tem SIPAM, tem Sivam, tem IBAMA, tem secretarias de defesa do meio ambiente em quase todos os municípios, tem Ministérios Públicos, tem tudo relacionado à defesa do meio ambiente com uma estrutura de fazer inveja a qualquer país civilizado do Primeiro Mundo, mas via de regra todo ano, a vergonhosa situação fecha aeroportos, lota hospitais com crianças e velhos, causa transtornos e providências não são tomadas para acabar ou pelo menos para aliviar a hecatombe que se abate sobre nós. Em Rondônia é como se a sociedade civil organizada não fosse organizada ou nem existisse. Nada aqui dá certo. Nada funciona. Quase tudo é na gambiarra, no jeitinho. O fogo assassino e a fumaça tomam conta de tudo. As pessoas incendeiam seus quintais. Fazendeiros incineram suas terras e ninguém contém o caos.
 
Nesse Estado parece que “é cada um por si e o diabo por todos”. Até apagão essa desgraça de lugar tem, apesar de possuir três grandes hidrelétricas que só servem para beneficiar os outros. A classe política, que nada faz, é de fazer inveja ao Sudão do Sul, Burkina Fasso ou Eritreia. Em vez de se preocupar com os inúmeros problemas do Estado, legislam em causa própria e na Assembleia Legislativa do Estado aprovam para si próprios um absurdo auxílio alimentação de mais de seis mil reais por mês sem levar em conta as necessidades de seus burros e otários eleitores. Mas ainda bem que recuaram diante do óbvio. Aqui nesta terra de ninguém, político só trabalha seis meses e já sai de férias. Óbvio que viaja para o mundo desenvolvido e civilizado. Disney e Paris, por exemplo. Tirar férias e ficar por aqui só para nós mesmos, os pobres e ignorantes.
 
Como se não bastasse o horror, até a educação do Estado estão querendo militarizar como se usar fardamento, prestar continência aos “superiores” e saber cantar o Hino Nacional fossem pré-requisitos básicos para se adquirir leitura de mundo, conhecimentos teóricos e boas informações. Engraçado é que ninguém falou em educação de tempo integral para nossas crianças e jovens. Rondônia ou Roubônia caminha para trás há muito tempo. Em breve virará uma província sem eira nem beira e finalmente desaparecerá do mapa. Isso aqui é uma espécie de “filial ruim e atrasada do Brasil”, outra porcaria sem conserto e sem rumo. Um lugar onde Lula e Jair Bolsonaro lideram pesquisas eleitorais para presidente da República não se precisa dizer mais nada. O jeito é se conformar mesmo em inalar fumaça, aplaudir os apagões e esperar chover merda. E então neste sinistro dia, a alegria reinará entre os rotos e desdentados.
 

*É Professor em Porto Velho.

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