Porto Velho (RO) sábado, 24 de agosto de 2019
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Só para os inteligentes, tal qual você!


Por David Nogueira

 

1.    Só para os inteligentes, tal qual você!

Aos mais exaltados, deixo claro que considero o atual estágio de desenvolvimento do Brasil muito aquém daquilo esperado e sonhado por mim. Assim, de modo infrutífero (eu sei), tento afastar os discursos oportunistas e demagógicos de algumas poucas almas penadas tão afeitas a sobrevoar, de forma agourenta, os textos alheios. Como diria o filósofo dos bastidores, a política é a arte do possível. Se o povo tivesse escolhido um Congresso melhor, provavelmente teríamos uma realidade melhor. Mas o Congresso nada mais é do que o retrato da sociedade de um país. Lá, encontramos gatos, ratos, pulgas, carrapatos e demais animais peçonhentos... no entanto, também encontramos flores, água limpa, boas árvores, ar respirável, bom pão e vinho. Somos nós quem damos vida àquele espaço, logo, somos nós os responsáveis pelo que ele é. Superado isso, vejamos se a “comandante” de plantão e o projeto político em curso (dentro do seu possível) têm feito algo interessante ou não.

 

2.    Não se faz distribuição de renda com discurso ou fala barata

Desde os primórdios em que as garrafas de guaraná eram fechadas com rolha, eu ouço a lenga-lenga de que o país precisa distribuir renda para crescer. Ninguém, em tese, manifestava-se contra isso, ainda assim, os governos se revezavam e não implementavam essa premissa básica. Ao analisar os números, constato dados interessantes. Entre os anos de 2003 e 2011, conforme o IBGE, o desempenho da economia acumulou um salto de 40,7%. Nosso Produto Interno Bruto avançou 27,7%; ainda assim, a renda média das famílias foi maior e superou 40%. Isso se deu graças aos programas sociais implantados pelo Governo, ou seja, uma ação de gestão alterou, de fato, a chegada de mais recursos aos bolsos dos alegres brasileiros. Tal fato ajudou a gerar cidadania e não clientelismo, como alguns idiotas teimam em argumentar. As portas de saída desses programas estão, paulatinamente, sendo aprimoradas. Para quem já leu algo, conhece o gigantismo da tarefa em questão.

 

3.    Raciocinando com números

Ao mesmo tempo em que o desemprego recuou de 9,3%, em 2008, para 5,5% em 2012/2013, o salário real de 20% da população com menor renda aumentou 36,8% (descontada a inflação). Já para os 10% mais bem pagos, os reajustes ficaram em 7,9%. Houve uma clara inversão de prioridade, na qual os salários menores tiveram ganhos maiores.

Nos últimos 10 anos, um lapso de tempo considerável, a renda per capita dos 10% mais pobres cresceu 91,2% em termos reais. Por outro lado, os 10% mais privilegiados tiveram incremento de 16,6%. Com isso, a renda dos 10% mais esquecidos cresceu 550% mais rápido do que dos 10% mais rechonchudos. A ação do governo, com todos os seus problemas e discordâncias, provocou uma revolução que a elite deste país não vê, não aceita e não quer mais... pena!

 

4.    E os outros países?

O duro processo de inversão da lógica da concentração de renda acontecido no Brasil nos últimos anos não se repetiu em outros países também em desenvolvimento. Em um comparativo dos 20% mais ricos do Brasil com os 20% mais ricos desses outros países (Índia, China, África do Sul, etc) constata-se uma concentração de renda superior neles do que em nossa economia. O aumento da renda da população 20% mais pobre em nosso país só foi superada pelos 20% mais pobres da China, cuja miserabilidade era imensa. Ainda outro dado interessante, e nunca falado, diz respeito à renda dos negros e pardos, cujo aumento foi de 66,3% e de 85,5%, respectivamente, contra 47,6% dos brancos no mesmo período.

 

5.    Escolhas e ideologias

Não cabe aqui defender Partido A ou B. Não vamos diminuir essa discussão. Seria patético. A ideia é fazer análises políticas com fulcro em resultados mensuráveis.

Poderíamos ter avançado mais, estou convencido, caso houvesse condições políticas para isso no país. Se houvesse correlações de forças na sociedade e no Congresso capazes de patrocinar e de sustentar mudanças mais ousadas e profundas.

Por outro lado, também estou convicto de que o país poderia estar bem pior, muito pior, porventura a escolha do povo fosse no sentido de manter o neoliberalismo e suas lógicas centradas no capital e não na pessoa. Os números e os dados do Brasil de hoje representamo nosso referencial e revelam fatos a serem observados com cuidado. 

Pode não parecer, cara pálida, mas o voto é ideológico sim, e foi a mudança ideológica a propulsora de nossos atuais caminhos. Não finja espanto ou negação exagerada. Infelizmente, muitos ainda não se aperceberam bem dessa realidade. Na hora do voto, não é apenas a pessoa que conta (embora seja significativo), mas o que ela representa como braço político organizado dentro do Poder de Estado. No Brasil, com a bizarra legislação existente, isso não consegue ficar suficientemente claro.

Mas diga lá, meu Curumim, no frigir dos ovos, o Brasil, com a mudança de rumo, avançou ou não?

 

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