Quarta-feira, 19 de janeiro de 2022 - 09h32

Informações dão conta de que o presidente Jair Bolsonaro,
orientado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, estaria propenso a conceder
reajuste salarial apenas aos militares em detrimento das demais categoria funcionais.
E de pensar que o governo prometeu usar parte da verba gerada pela PEC dos
Precatórios para dar aumento ao funcionalismo, sem exceção, mas, pelo que se
observa, se depender do senhor Guedes, os servidores vão continuar à mingua.
A isonomia, como princípio da igualdade, gerando direitos
iguais, deve ser uma diretriz, uma norma que precisa nortear as ações de
benefícios de vencimentos não só para militares, professores, engenheiros,
cientistas, mas também para os agentes administrativos, oficiais legislativos,
assistentes legislativos, advogados, psicólogos, agrônomos, os quais, como
servidores da União, do Estado ou mesmo do município, esperam tratamento
isonômico por parte dos chefes dos executivos, nos três níveis de poder.
Por isso, nada mais justo do que o governo federal estender aos
servidores civis o reajuste salarial que intenciona conceder aos militares.
Insistir nessa conduta dúbia e discriminatória é um desrespeito para com as
outras categorias profissionais que prestam serviços tão relevantes quanto os
militares, ou talvez até mais. Vivemos tempos difíceis. A situação não está
fácil para ninguém. É impossível esconder a extrema situação de desconforto
experimentada pelos trabalhadores do ponto de vista salarial, entre eles não é
justo excluir a maioria dos servidores públicos. Muitos deles há vários anos
não recebem sequer a recomposição inflacionaria, que é um imperativo
constitucional. Alguns estão ganhando tão pouco que mal dá para sobreviver com
dignidade.
Que democracia é essa que discrimina servidores de primeira e de
segunda classe na hora de reconhecer seus legítimos direitos? À democracia não
interessa o traje do cidadão, seja ele um paisano, seja ele um homem de farta.
E os que têm o poder da caneta precisam aprender essa lição. O presidente Jair Bolsonaro
precisa colocar a mão na consciência e repudiar essa conduta discriminatória e
mesquinha.
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