Porto Velho (RO) sábado, 17 de agosto de 2019
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Projeto quer revitalizar cultura indígena no Amazonas


Uma das formas de se preservar a identidade cultural de uma nação, povo ou etnia é passando o conhecimento dos mais velhos para as novas gerações. Contudo, no decorrer desse processo, problemas podem surgir, o que acarreta a interrupção da transferência da informação e, conseqüentemente, a perda de alguns traços culturais. Um projeto realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), com o apoio da Fundação Estadual dos Povos Indígenas do Amazonas (Fepi), aponta caminhos para reverter essa situação comum em muitos municípios da região.

Um grupo de pesquisadores, entre historiadores, antropólogos, lingüistas e lideranças indígenas fará o levantamento, por meio de um projeto de educação indígena, da arte plumária dos povos kagahiwa do município de Humaitá e da etnohistória de duas etnias do município de Manicoré, no Amazonas. O objetivo, ao final da pesquisa, é organizar um livro com as informações obtidas. Estão previstos também a documentação em vídeo na língua indígena e um CD de músicas tradicionais, além de outros materiais de divulgação.

O trabalho de campo começa no mês de fevereiro, quando os pesquisadores viajarão para as comunidades para a formulação de um cronograma das atividades que serão executadas. Entre elas, oficinas com duração de 40 horas sobre a documentação lingüística cultural, legislação indígena, zoneamento ecológico e econômico. Na oportunidade, os indígenas serão capacitados para executarem as pesquisas.

O projeto durará dois anos e conta com recursos da ordem de R$ 186 mil disponibilizados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). Parte da verba será utilizada na compra de computadores, gravadores digitais, os quais ficarão nas aldeias para que os professores indígenas possam realizar as pesquisas.

"Não iremos chegar às aldeias e realizar o trabalho, mas serão os próprios moradores. Eles farão as entrevistas com os velhinhos e coletarão e organizarão todos os dados. Iremos apenas orientá-los e sistematizar as informações. Esse é o diferencial do projeto", explica Ana Carla Bruno, coordenadora da pesquisa.

Em Humaitá, será feita a documentação da arte plumária, que envolverá os povos Tenharim, Parintintin e Diahoi. Já em Manicoré será feito o levantamento da Etno história dos Mura e Tora. Na primeira fase do projeto, foram visitadas 33 aldeias. Na ocasião, foi feito um diagnóstico preliminar da situação da educação indígena, cultural e lingüística dos grupos.

Anacarla diz que há duas realidades bastante distintas nos dois municípios. Em Manicoré, com os Mura, Apurinã e Mundurucu, o trabalho é mais de fortalecimento da identidade indígena. Isso porque há grupos que não falam mais a língua, não praticam mais suas cerimônias e rituais. Além disso, também há a questão da identidade e da história, por isso, o trabalho será de reafirmação. "Eles querem que a história deles seja vista e utilizada nas escolas", ressalta.

Com os grupos Tenharim, Parintintin e Diahoi, que ficam em Humaitá, a pesquisadora explica que eles praticam as cerimônias, ou seja, mantêm as algumas de suas tradições. Contudo, os mais velhos perceberam que os jovens não estão tão envolvidos com aspectos tradicionais e não sabem, por exemplo, produzir cocares e pinturas corporais.

Educação indígena - Segundo Anacarla, a questão da educação indígena permanece crítica nos dois municípios. Por isso, no final do segundo ano, será organizado um grande encontro que reunirá representantes da Secretaria de Estado da Educação (Seduc-AM) nos municípios, os quais são responsáveis pelas políticas públicas, da Fepi e do Inpa para debaterem a temática.

"Queremos que todo o material organizado durante os trabalhos de campo seja utilizado nas escolas indígenas. O que vem acontecendo é que a educação indígena diferenciada não acontece de fato. Os livros utilizados são os tradicionais. Apesar de os professores serem preparados pela Seduc, quando avaliados pelo Ministério da Educação (MEC) são avaliados pela forma tradicional. Por isso, queremos fazer uma reflexão com todos os participantes sobre que tipo de educação indígena está sendo praticada e o que se deseja", finaliza.

Fonte: Agência Fapeam

 

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