Quinta-feira, 4 de março de 2021 - 18h00

Se dependesse do ministro da Economia, Paulo Guedes, o Brasil
entregaria as empresas estatais nas mãos da inciativa privada. Para ele, essa
seria uma alternativa viável para tirar o país da crise em que se acha, mas o
presidente Jair Bolsonaro já deixou claro que a Petrobras, o Banco do Brasil e a
Caixa Econômica Federal são intocáveis. Para alguns, as estatais são
responsáveis por tudo de ruim e por toda a desgraça que aflige o Brasil.
Trata-se de um assunto da maior relevância e que, por isso
mesmo, não pode ser debatido de forma emocional, mas examinado racionalmente,
amparado com dados e exemplos concretos. Convém debruçar-se sobre o tema com
responsabilidade e transparência, para, só então, saber o precisa e o que não
precisa ser privatizado. O que não deve ser privatizado é aquilo que dá lucro e
tem ótima qualidade. Apesar de a Petrobras ter sido usada para bancar o maior
esquema de propina e corrupção mundial, não se tem dúvida de que a empresa tem
know-how no mercado mundial, o que evidencia a competência do Estado para gerir
uma companhia desse porte.
Mas há os penduricalhos dos quais o governo precisa
urgentemente livrar-se, como os Correios, e tantos outros que, além de não
serem estratégicos, já se revelaram deficitários e problemáticos. Existem,
ainda, os ralos por onde escorem o dinheiro do contribuinte, alimentam o
empreguismo, e desviam recursos que poderiam ser usados em áreas essenciais,
como saúde e educação.
Em 1997, quando o governo FHC começou o processo de
privatização do setor de telecomunicações muitos foram radicalmente contra
ideia. Naquela época, ter uma linha telefônica era sinal de status. Pelo plano
de expansão, uma linha custava ao cidadão quase mil e duzentos reais. Difícil
era conseguir. Em alguns centros urbanos, era negociada no mercado entre sete e
nove mil reais. Poucas pessoas tinham uma linha residencial. Hoje, são milhões
delas espalhadas pelos quatro cantos do Brasil. O telefone fixo está acessível
a praticamente toda a população. O custo
de uma habilitação é uma merreca. Agora imagine se o setor das telecomunicações
tivesse continuado nas mãos do governo.
Diante de tudo que já se viu, será que o interesse coletivo
não seria mais bem atendido se o governo passasse a cuidar daquilo que
realmente é de sua competência, como saúde, educação, segurança, e deixasse o
resto com a iniciativa privada?
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