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Porto Velho – uma cidade perturbada


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Quando aqui cheguei, trazido pelos meus pais, Porto Velho era uma cidade calma e de povo pacato. Cresci e tornei-me adulto nesse clima de suavidade e paz. Era comum passar o domingo ou feriado em casa de um amigo ou parente. A impressão era de que as famílias viviam ao compasso de um só coração e sob o influxo de uma só alma. Quando acontecia um assalto, um crime, uma sensação de assombro agitava a população. Era assunto para muito tempo.

Como eu disse, aqui cresci, tornei-me adulto e deitei raízes. Nesse período, a minha Porto Velho passou por um profundo e doloroso processo de transfiguração urbana e social, tornando-se uma cidade dominada pelo medo, agitada e sacudida por marginais de todos os matizes, que cometem seus delitos com a mesma tranquilidade de quem descarta um papel inútil, confiantes na impunidade. Criminosos impunes e crimes insolúveis.

Vários são os fatores que contribuem para esse clima de beligerância. Deixo a analise para os estudiosos no assunto, mas destaco a ausência de Deus no coração de muitos como um dos principais motivos para essa onda de terror que intranquiliza a todos. Deus é o grande ausente do lar, da escola, da repartição e da vida pública. Desapareceu o temor de Deus, que é o princípio da sabedoria, como ensina a Sagrada Escritura.

O amor esfriou no coração de muitos, abrindo, assim, as portas para os atos mais torpes e os crimes mais nefandos. Sem a presença de Deus estaríamos perdidos nesse mundo, como um carro sem freio, ou um barco à deriva em meio à borrasca. Já caminho para os sessenta anos, com a graça de Deus, e muito me entristece verificar que minha cidade mudou profundamente de aspecto, com feição completamente diferente da que eu encontrei quando aqui desembarquei, deixando de ser aquela Porto Velha tranquila para transformar-se numa cidade perturbada, marcada pelo signo da maldade do crime e da rapinagem.

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