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Porto Velho: saneamento não é luxo, é começo de conversa


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Porto Velho não precisa de varinha mágica; precisa de encanamento. De ralo que funciona, de rua que não vira igarapé, de torneira que não falha. Entre a cheia que volta no inverno e a poeira do verão, a cidade vive de improviso. E improviso, no fim, sai mais caro que obra.

É por isso que a Agenda 2030 é bonita no telão, mas aqui ela começa na casa da gente: Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) na água e no esgoto (ODS 6), na drenagem e no planejamento urbano (ODS 11), na saúde que não lota à toa (ODS 3) e na cidade que aguenta a chuva sem desabar (ODS 13). A prefeitura tem Plano Municipal de Saneamento e painéis alinhados aos ODS; ótimo. Há planejamento e ações em curso, mas falta um cronograma único, claro e fácil de acompanhar, que mostre prazos e entregas por região. Sem isso, “tirar do papel” vira promessa que a população não consegue fiscalizar.

O Custo da Não-Obra

A conta da “não-obra” é diária. Escola que suspende aula porque a rua virou lama. Nos piores meses, cresce a procura por atendimento por diarreia e outros problemas de saúde ligados à água, sobretudo entre crianças e idosos. Comércio que fecha na primeira cabeça d’água. ODS se mede nisso: se a criança vai à aula, se a água chega limpa, se o dinheiro do mês não evapora pagando remendo. E, por favor, menos gambiarra: limpar depois que alaga, clorar água de caminhão-pipa, passar máquina em rua de terra. Isso é rodízio de emergência, não política pública.

“Ah, mas é caro.” Caro é reconstruir todo ano. Caro é internar quem não precisava adoecer. Caro é perder trabalho porque a cidade parou. Saneamento básico é a obra que mais devolve resultado em menos tempo. Não é ideologia; é aritmética. E é também regra do jogo: promete Agenda 2030 e não cuida do esgoto? Perde investimento e credibilidade.

Compromissos Essenciais (Sem Tecnicalês)

Então vamos ao essencial. Em 12 meses, água contínua (24 horas por dia, 7 dias por semana) nos locais que mais sofrem hoje, escolhidos por critérios públicos e fáceis de conferir, com o cronograma por bairro na internet.

Em 18 meses, primeira etapa do esgoto: centro expandido e dois eixos vulneráveis com coleta, tratamento e ligação na casa do morador facilitada, sem empurrar a conta para quem menos pode.

No mesmo período, resolver de vez os pontos que sempre alagam, em vez de limpeza depois do desastre. Água garantida em escolas e unidades de saúde: torneira que funciona, reservatório limpo, plano de contingência onde não há rede.

E tudo isso num quadro simples e público de acompanhamento: o que será feito, onde, quando começa e quando termina.

“Mas a chuva vai continuar.” Vai. Por isso adaptação não é capricho: drenagem é seguro-clima; árvore e sombra são menos calor e menos gasto de luz. ODS 13 no asfalto, não no slide.

E o cidadão nisso? O dever de cobrar do poder público é igual ao de colaborar ativamente: não entupir bueiro é tão importante quanto exigir o prazo, aceitar a ligação de esgoto quando a rede chega e participar do conselho de saneamento do município. Saneamento é obra pública com resultado particular: melhora a rua e melhora a sua saúde.

No fim, a régua é simples: verdade com data, número e endereço. Água contínua em tais áreas, esgoto funcionando em tais ruas, tantos pontos de alagamento resolvidos, tantas escolas e postos de saúde com padrão de qualidade. Se entrar serviço, baixar gasto e melhorar a saúde de quem mora ali, é Agenda 2030 de verdade. Se ficar no discurso, é só calendário bonito na parede. Porto Velho não precisa de slogan novo; precisa que a água boa chegue, que a água ruim vá embora e que a cidade enfrente a próxima chuva sem pedir arrego.

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