Porto Velho (RO) quinta-feira, 22 de agosto de 2019
×
Gente de Opinião

Opinião

Paz no cemitério?


Gente de Opinião

"Parece que a economia brasileira está voltando à normalidade. Aos poucos o país está encontrando seu ritmo. O que não era normal era ver o país com inflação elevada, com o país em recessão, e o desemprego aumentando.”

Assim reagiu o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, quando soube, em Washington, na sexta-feira 7, que a inflação brasileira em setembro, medida pelo IPCA, havia ficado em 0,08% – abaixo das estimativas de mercado e abrindo espaço para reduções na taxa de juros.

No entanto, de tudo aquilo que “não era normal”, segundo Meirelles, apenas um objetivo foi alcançado, uma vez que o Brasil continua em recessão – que se aprofunda – e o desemprego não para de crescer, em todas as regiões do País. Aliás, é justamente essa pasmaceira econômica que explica a inflação baixa. Como já não há mais demanda na economia brasileira, os preços pararam de subir, num contexto de “paz no cemitério”.

O problema é que, até agora, nada se fez de concreto para enfrentar os problemas mais graves da economia brasileira, que são a retração da indústria e o desemprego. Em agosto, quando Meirelles já bradava a “volta da confiança”, a produção industrial caiu 3,8% no Brasil. Foi a queda mais intensa desde janeiro de 2012, que atingiu 21 dos 24 setores pesquisados e foi a 30.ª retração seguida na comparação com os dados do mesmo mês do ano anterior.

Diante desse cenário, o único remédio proposto pelo governo brasileiro é o congelamento de gastos públicos por 20 anos – uma medida polêmica que amarra as iniciativas não apenas deste governo, mas das quatro próximas gestões presidenciais e também não contribui para estimular a demanda interna.

Nesse ambiente de destruição completa, não é de estranhar que 20 estados da federação, o que inclui praticamente todos das regiões Norte e Nordeste, já estejam atrasando salários. No governo Temer, houve socorros federais apenas para Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro – e este, segundo consta, já estaria pedindo novos recursos, cerca de R$ 14 bilhões, antes de uma intervenção federal que parece ser inevitável.

Aos poucos, o Brasil caminha para uma situação de falência total, em que vários estados decretarão calamidade pública. Foi esse o resultado de uma crise política iniciada no dia em que a presidente Dilma Rousseff foi reeleita e passou a ser sabotada por todas as forças interessadas no seu impeachment. Aos vencedores, o caos.

(artigo originalmente publicado na revista Nordeste)

Mais Sobre Opinião

O bom do silêncio

O bom do silêncio

Bolsonaro disse que não adianta exigir dele a postura de estadista, por que não é estadista.

Meu cargo, minha vida

Meu cargo, minha vida

Bolsonaro se revelou um profundo conhecedor da natureza humana

Cada quadrado no seu quadrado

Cada quadrado no seu quadrado

Os argentinos são como são. E não querem nem aceitam conselhos.

Feliz dia de quem matou os pais!

Feliz dia de quem matou os pais!

Dia em que Suzane von Richthofen e Alexandre Nardoni estão de férias da prisão.