Segunda-feira, 17 de maio de 2010 - 14h48
É verdade que não existe uma forma fixa para se criar um texto, ele nasce estruturado no repertório e criatividade do seu autor, seja qual for seu estilo.
Mas também é verdade que os textos jornalísticos estão cada vez mais enfadonhos, lembram boletins policiais.
Certa vez em uma palestra de comunicação, o palestrante citou um exemplo de criatividade, dizia ele que todo mundo que vai para Paris tira uma foto da torre Eiffel, muitos se contorcem para tentar captar na imagem o máximo possível da torre, por isso todas as fotos são tão iguais. Mas o fotógrafo com criatividade se preocupa com o detalhe, ele fotografa um único parafuso do monumento e desperta mais curiosidade das pessoas do que se o tivesse fotografado por inteiro.
É exatamente isso que falta nos textos jornalísticos, os repórteres chegam ao local do fato com seus textos praticamente prontos, podem acontecer vários fatos pitorescos que fujam da pauta que não vai importar absolutamente nada para o repórter preguiçoso, seu texto será da forma quadrada e chata de sempre.
Diria eu que jornalismo é igual fazer sexo, precisa de preliminar, de posições diferentes, de várias formas de abordar o mesmo assunto, de criatividade, malícia e bom humor.
Tem que fugir das “meras atas” que vemos todos os dias nos jornais. Jornalismo é um ofício artesanal, o artesão tem que manejar as palavras, descrever situações que somente são possíveis constatar no local do fato, às vezes mudar completamente o foco sem deixar a cerne do assunto de lado.
Fazer um simples fato virar uma grande notícia é uma arte.
Jornalismo assim como o sexo tem que ser: responsável, criativo, sedutor e dar prazer. Caso contrário fica a mesmice enjoativa de sempre; muitas vezes é o jornalista que faz o leitor cometer o adultério.
Fonte: Laércio Guidio
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