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Opinião: Professores em extinção



 

PROFESSORES EM EXTINÇÃO: DISCIPLINAS COMO FÍSICA, QUÍMICA E MATEMÁTICA FORAM ABANDONADAS DURANTE 08 ANOS NA EDUCAÇÃO RONDONIENSE.

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Por Prof. Victória Bacon
 

A nova década que se iniciou há pouco mais de 06 dias, promete uma grande dor de cabeça para a atual gestão do governo Confúcio Moura e sua equipe formada pelos engenheiro Jorge Elarrat e a gestora Neila Pires. Em 08 anos de administração Ivo Cassol e João Cahúlla (2003-2011) o número de professores das disciplinas de exatas encolheu de 1,7 mil para metade. A situação no interior chega a ser inacreditável de se imaginar. Há cidades que nunca tiveram um professor realmente graduado em Física ou Matemática e cabem aos professores de outras disciplinas como pedagogia, biologia ou até mesmo administrador de empresas lecionarem física, por exemplo. Professor com apenas a formação de nível médio (antigo magistério) lecionando química ou matemática através dos contratos emergenciais que se alastram há anos. Isto sim é uma situação alarmante, merecedora de decreto de falência do estado que não soube investir no pólo- mestre da sociedade que é a educação e o sistema de ensino.

Na capital, a situação vem piorando gradativamente. Com a vinda do instituto federal (IFRO) para Rondônia, a maioria das vagas ofertadas para docentes é das disciplinas de Exatas. A maioria dos professores que migra da rede estadual para federal, justamente pertence à Porto Velho e mais de 10 escolas na capital encerraram seus anos letivos com professores tampões. Na escola Eduardo Lima e Silva, na Zona Sul, por exemplo, mais de 200 alunos não tiveram aulas de física durante 06 meses e o programa letivo foi cumprido em apenas 2 semanas. Os alunos sabem e reconhecem o prejuízo da falta do professor, porém os mesmos preferem passar a frente e não serem prejudicados pela questão do tempo, principalmente os alunos da educação de jovens e adultos, os mais prejudicados. Mais de 5 mil alunos em Porto Velho não tiveram aulas parcial ou integralmente de física, química ou matemática em 2010. No interior este número chega a 20 mil alunos prejudicados. Se somarmos aulas-tampões, professores sem formação específica este número pode chegar a 120 mil alunos que fizeram de conta que tiveram aulas.

Para entendermos esta grave situação basta observarmos os cursos de graduação de exatas. Nenhuma instituição privada de ensino superior se interessa em abrigar cursos de exatas em nível de licenciatura, pois a procura é pouca e a evasão enorme. Na UNIR, por exemplo, o curso de Física se inicia com 50 acadêmicos e se encerra com pouco mais de 5 futuros professores. Química a situação é parecida. Quanto à matemática os profissionais dos números acabam migrando para outros concursos federais ou estaduais que não sejam vinculados ao magistério.

Nos concursos de 2008 e 2009 da SEDUC, foram ofertadas um total de 1500 vagas para áreas de exatas. Dos dois concursos não se tem mais de 200 professores e até final do ano este número será reduzido a 100. O número de alunos a cada ano aumenta e como então contratar professores de áreas do conhecimento tão estratégicas para o desenvolvimento intelectual do estudante?

Complicada resposta. Não só elevando salários que a situação vai melhorar. Professores de física que deixaram a rede estadual e migraram para a rede federal (IFRO e UNIR) alegam que o número de alunos para atenderem é menor, a carga horária em sala de aula menor, maior quantidade de horas para planejarem suas aulas e maior atenção por parte da administração em suas reais necessidades e anseios.

O abandono na educação rondoniense pode causar uma estafa educacional nas disciplinas de exatas. Se nada for feito, a curto prazo, teremos que pagar um preço muito caro no pós-usinas. Você já parou para refletir que indústrias e empresas que geram empregos são atraídas por estados e regiões que possuam mão de obra direcionada aos interesses econômicos de cada época. Vivemos na época das grandes transformações tecnológicas e robótica e não é explicável que Rondônia por estar escondida no oeste brasileiro não tenha potencial para caminhar no ritmo das grandes mudanças e dos grandes centros urbanos. Até agricultura, pecuária, pesca, indústria moveleira e de mineração que são áreas econômicas ligadas ao nosso estado necessitam de bons engenheiros e técnicos para desenvolverem novas pesquisas e soluções e para isto tudo envolve números, cálculos, pesquisa, laboratório enfim um universo ligado às ciências exatas tã o judiada em nosso estado. Para que possamos ter um quadro positivo nada melhor que a educação de base seja favorável com professores graduados em suas respectivas áreas, principalmente nas ciências exatas. Talvez esta seja a explicação mais plausível para que o MEC (Ministério da Educação) coloque a educação rondoniense tanto de nível básico quanto superior entre as piores do país.

Para que tantos investimentos num estado que não oferece professores com formação adequada para seus filhos.

Poderíamos importar profissionais, mas será que professores de outros estados que enfrentam problemas semelhantes vão migrar para Rondônia que está pagando um dos piores salários do país?

Não há política de valorização, de atenção, de investimento para estes professores. Estados como Santa Catarina ou Alagoas melhoraram os salários, mas a falta de professores persistia. Então miraram para a qualificação, atenção, investimento em escolas, laboratórios, na saúde do educador. Enfim, professor que é lembrado, produz muito mais.

Pela manhã o secretário de educação atual me disse que o problema não é a educação e sim as pessoas. Será? Se formos culpar as pessoas pelo caos não caminharemos. O problema sim é a educação, o sistema corrupto e abandonado que precisa urgentemente ser modernizado, reestruturado e a revolucionado, pois como Lulu Santos disse em sua música-tema de abertura da malhação dos anos 90: Assim caminha a humanidade... .
 

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