Segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026 - 09h30

O outro
slogan, que contraria o título acima, pode até não ser fascista, mas foi usado
por mais de vinte anos por Mussolini e foi criado durante a unificação
italiana. É muito utilizado hoje em dia pela extrema-direita no mundo inteiro.
Mas é uma farsa, é algo inútil, inapropriado, hipócrita e sem nenhum fundamento
lógico. Só os idiotas, semianalfabetos e desprovidos de leitura de mundo caem
nessa lorota que serviu e serve às ditaduras de direita espalhadas pelo mundo.
Deus talvez nem exista. É apenas uma espécie da criação humana. “Um
delírio”, como disse Richard Dawkins em seu famoso livro. O Deus de
Espinosa seria o mais crível dentre todos eles e o que deveria ser mais
aceitável num mundo moderno. Há muitos
deuses em que se acreditam. Sempre houve. E todos eles criados pelo homem. E
cada um deles é importante só na cultura que o criou.
Pátria é só uma aberração política e absurda que não tem
sentido algum. Como pode haver uma pátria se há tanta desigualdade, guerras,
fome, perseguições e injustiças? Pátria pode ser o lugar onde se nasce e onde
se vive. “É a terra natal, com a qual se estabelece um vínculo emocional,
cultural e histórico. Vai muito
além do território físico, envolvendo identidade, tradições, língua, símbolos
nacionais e o sentido de pertencimento a um povo”. Mas, no caso do Brasil, é algo ligado
a injustiças sociais, à exploração humana, ao preconceito, à violência, à
pobreza e à miséria. “Os muros que separam quintais” permitem que
somente uns poucos e raros privilegiados cidadãos tenham uma vida decente
enquanto a grande maioria vive à margem de tudo. E são exatamente só esses “cidadãos
de bem” que veem alguma utilidade na pátria que habitam.
Já família é definida como “um grupo de pessoas
unidas por laços de sangue, adoção, casamento ou, fundamentalmente, pelo afeto
e convivência, agindo como base da sociedade e núcleo de acolhimento. É a célula da sociedade”. Tudo
conversa fiada, tudo mentira e hipocrisia. Família hoje é uma instituição já
falida e fadada ao atraso e ao anacronismo. O divórcio, a união estável, a
falta de compromisso, dentre muitos outros fatores, já destruíram o conceito de
família há tempos. Todo mundo conhece pessoas que já estão no terceiro ou no
quarto casamento e em cada uma dessas “uniões”, que eram para
sempre, há filhos e descendentes. É comum um homem ser casado com uma mulher e
ter várias amantes. Assim como uma mulher casada se relacionar com vários
outros parceiros. Deve ser a tal da família tradicional de que tanto se fala na
mídia e na sociedade.
Não se pode aceitar um slogan mentiroso, asqueroso, nojento
e hipócrita como “Deus, Pátria e Família” só para dominar e
enganar as outras pessoas. É preciso quebrar essas regras invisíveis que se criaram
do nada. A política não é só a polarização entre direita e esquerda. É algo
muito mais produtivo dentro de uma sociedade. “A ciência política é a mais
importante de toda a polis”, já pregava o sábio Aristóteles. Por isso, é
preciso romper com a canalhice e a hipocrisia reinantes. É preciso sair dessa
prisão mental. Ninguém deve ser coerente e certinho o tempo todo. Ninguém deve lutar
para caber numa caixa ridícula que os outros criaram. Ninguém deve viver
engessado numa vida que é muito curta. O ser humano não nasce pronto. E ter
aquela velha opinião formada sobre tudo é algo que já foi superado há tempos. “Prefiro
ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre
tudo”, já cantava Raul Seixas.
*Foi Professor em Porto Velho.
Segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)
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