Domingo, 18 de abril de 2010 - 10h08
O furacão Katrina arrasou os Estados Unidos. No Brasil, um furacão chamado Dilma anda arrasando palanques, alianças e candidaturas. Com sensibilidade de um elefante em uma loja de cristais, Dilma segue causando constrangimento, desentendimento e apreensão por onde passa. Foi assim em Belo Horizonte, foi assim em São Paulo, está sendo assim Brasil afora.
O maior problema de Dilma é ela mesmo, sua falta de trato, sua maneira de enxergar a vida e de lidar com os que estão à sua volta. É uma figura tão diferente de Lula... Marina Silva, não, é a versão feminina de Lula. Fundadora do PT no Acre, segue ela em sua solitária peregrinação Brasil afora. É uma candidata retirante, uma bóia fria da política nacional.
Marina tem uma história próxima da de Lula. Bastaria ele dizer, pelos palanques do Brasil, que esta é a minha candidata, pois ela é como eu, é como vocês companheiros, veio do norte, venceu desafios, é uma guerreira, uma trabalhadora brasileira. Eu nasci no sertão, ela na floresta. Somos filhos do Brasil, da pobreza, do esquecimento. Sabemos o que é a fome, a falta de estudo, de saúde, de emprego. E, no entanto, estamos aqui, por que passamos por todos os desafios e queremos dar um futuro melhor para cada um de vocês, por que nós sofremos na pele o que vocês sofrem todos os dias, nos vivemos a sua realidade diária. Por isso precisamos do seu voto, para mudar tudo isso...
Mestiça, Marina Silva tem a humildade dos vencedores e não a arrogância dos perdedores. Tem os olhos tristes dos oprimidos e o sorriso aberto dos que acreditam na luta diária, na superação dos desafios. Tem um jeito brejeiro de mulher sofrida, como se lê nos vincos de seu rosto.
Me parece claro que se a candidata de Lula à presidência da República fosse a Marina, teríamos uma transferência imediata de votos, um entrelaçamento de imagens, de depoimentos, de histórias, o que causaria comoção junto à população e um casamento natural entre os personagens.
Dilma, não. É uma imagem que destoa da de Lula, que não lembra sua espontaneidade, sua popularidade, seu jeito matreiro de fazer política. São imagens que não colam, que não se correspondem, que não se assemelham, que não se harmonizam.
O grande problema é que Marina não é submissa, não é serviçal, tem luz própria. Lula não queria uma candidata independente, pois ele tem muitos compromissos e precisa assegurar aos companheiros o esquema implantado dentro do governo federal dos milhares de cargos criados, do repasse sistemático de verbas para as ONGs petistas, da onisciência de José Dirceu no governo lulista.
Como diz o adágio popular, “quando a esperteza é demais, ela cresce e engole o dono”. Enquanto isso, vamos assistindo a crônica diária da candidata Dilma, a gata borralheira que sonha se tornar princesa.
Fonte: Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor – www.petroniosouzagoncalves.blogspot.com
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