Domingo, 6 de dezembro de 2009 - 08h50
Parece que a marca maior do governo Lula para aqueles que não dependam de suas bolsas seria mesmo a certeza de seu desprezo pela ética.
O presidente afirmou que as imagens do governador do Distrito Federal e de seus aliados embolsando dinheiro de corrupção, não falam por si e que o caso está na Justiça. Esta mesma que ele disse, e se esqueceu, que tem uma caixa-preta a ser aberta que, também, não pune ninguém acima de prefeito. Mas só repetiu o que tem feito em todo seu mandato, defender a impunidade dos aliados pilhados gatunando o dinheiro público.
Lula nega o mensalão ao ponto de insinuar um golpe, ainda que o processo deles esteja na mesma Justiça que ele agora confia e que dará a resposta na questão da quadrilha liderada pelo governador do Distrito Federal.
Afora a retórica antiética do presidente, era louvável a postura do governador Arruda ao assumir seu erro na violação do painel do Senado. Por trás estava um ator, tupiniquim, mas ator, pois estava fazendo algo muito mais grave. Pois ele se referia aos filhos para demonstrar que tinha algo capaz de lhe trazer preocupação com a sua dignidade. Agora, sabe-se que o filhinho acompanha o pai nas suas tramóias.
O envolvimento de familiares traz um agravante quanto aos valores morais, pelo fato destes nunca participarem no sentido de coibir os atos de gatunagem, mas se unem para tirar vantagem das ações públicas criminosas de seus parentes. O filho do presidente virou milionário da noite para o dia, típico de mágica.
Sobre a corrupção já foi dito tudo e de há muito. Até capa da revista Veja já foi há mais de dez anos. Deste episódio deve-se destacar apenas o deboche com a religião, o argumento repetido das boas ações dirigidas aos pobres com o dinheiro, como se estes aceitassem algo que vem de corrupção. Mas, o fato de ter hierarquizado a escola do mensalão é o principal. Primeiro, o federal, depois, o estadual de Minas Gerais e agora o Distrital. Além da generalização das principais siglas partidárias, a hesitação do partido em expulsá-lo sumariamente, por medo das fitas se ampliarem. E a certeza de que, como antes, Arruda será mais um corrupto público impune que, fosse particular seria adequadamente chamado de ladrão.
Ao contrário do presidente da República, não tenho receio em afirmar, pois as imagens não falam; berram, tamanho o descaramento como se rouba dinheiro público neste país, pela certeza absoluta de que a alta Justiça brasileira abre processo, até muitos, gasta tempo, dinheiro e mão-de-obra, mas não pune ninguém do andar de cima. E isto também está se tornando indecente, um achaque.
Pedro Cardoso da Costa
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