Sábado, 17 de novembro de 2007 - 08h49
Atenção! Em suas marcas! Pow!!! Como denorex: parece, mas não é. Não se trata de uma corrida de 100 metros rasos, mas sim da corrida para a titularidade do poder municipal e para as vagas de coadjuvantes desse processo. Em uma corrida de 100 metros rasos vence aquele que tem maior poder de explosão, que trabalhou mais o seu condicionamento físico, enquanto que nessa corrida pelo voto, vale tudo, pelo menos é o que temos visto nas últimas disputas.
Nessa competição do voto a regra ainda permite que pessoas participem sem nenhum condicionamento que o páreo exige, disfarçados de competidores preparados em sua condição moral, intencionados a usarem de manobras alheias à lisura da competição, não oportunizando a muitos honestos competidores êxitos em seu objetivo.
O público, ao final de uma competição de 100 metros, saúda o vencedor em reconhecimento a sua superioridade momentânea sobre os adversários, pois testemunhou o esforço da largada até o sorriso da vitória, e mesmo que seu atleta favorito haja perdido, mas tenha demonstrado toda a sua força reconhece a sua fragilidade e admira o seu espírito de competidor, pois nada poderia fazer naquele momento.
Em uma competição de voto, o público é a figura principal desse processo, pois cabe a ele a escolha de quem vai vencer. Reconhecer, no meio desse universo de competidores aqueles que carregam melhores condições de serem levados ao ápice dessa disputa é o X da questão. A quem cabe apontar parâmetros para a formação de uma opinião desprovida de interesses momentâneos? Ao próprio público? Em tese, sim. Mas quando o público é submetido a regras onde a sua essência está baseada na capacidade individual de formar conceito sobre o que é de interesse coletivo, como em países de primeiro mundo, a quem recorrer?
Muitos tijolos, muitas telhas, muitas promessas de empregos e outras coisas mais continuarão a ser parâmetros para escolha de vencedores nesse processo, ou isso é coisa do passado? Alguém que detenha o poder de selecionar os competidores que se mostre antes do tiro de largada, ou correremos o risco, novamente, de nos depararmos com "excelências" dentro de seus ternos listados em branco e preto, como uma ZEBRA dessa competição. Às verdadeiras zebras, aplausos, pois dentro do seu habitat natural competem diariamente, com honestidade, pela sua sobrevivência.
Fonte: FERNANDO OCAMPO FERNANDES - Jornalista – fernandoocampo@globo.com
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