Porto Velho (RO) domingo, 25 de agosto de 2019
×
Gente de Opinião

Opinião

O TOQUE DO MESTRE


O TOQUE DO MESTRE - Gente de Opinião

William Haverly Martins

O que faz um homem ser alçado à condição de mestre? No Oriente, mestre é quem mostra o caminho, é quem dá instrução, quem passa conhecimento, enfim, mestre é quem detém o know how do pulo do gato nas milenares lutas marciais. No Ocidente, os cristãos chamam de mestre a Jesus, o estudante atribui o título ao professor que fez mestrado, mas o povo, na sua santa sabedoria, diz mestre para quem com um toque transforma o comum em incomum; ou para quem compartilha sua experiência com outros, distribuindo poder, sabedoria e conhecimento, estacionados na marina da humildade.

O Imperador D. Pedro II disse que se não fosse imperador, gostaria de ser mestre, dizia ele não conhecer missão maior e mais nobre do que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro. O verdadeiro mestre não dispensa sua fiel companheira, a ouvidoria popular.Gente de Opinião

Esta semana ficamos sabendo que o prefeito eleito dará “plenos poderes” a um professor que será o novo secretário da administração, mas com ingerência sobre outras secretarias. Decididamente este não será um toque de mestre, prefeitos e governadores do passado já tentaram esta façanha e se deram muito mal, se isto for verdade o nosso querido Dr. Mauro já começa ignorando o fator vivência: se Hitler tivesse “ouvido” Napoleão jamais invadiria a Rússia...

Pode não parecer, mas estamos torcendo para o sucesso do nosso prefeito, tomara que ele não cometa os erros do também médico Confúcio Moura, que vem testando administradores em várias secretarias, sem muito sucesso: Cultura e Educação acumulam secretários e fracassos. A Saúde vem sendo um desastre, será que o Pimentel conseguirá retirar da UTI o Hospital de Base e o João Paulo II? Duvido. Segundo alguns médicos, falta tudo e o governo não possui dinheiro para pagar fornecedores. Só não falta cabide de empregos: no festival da incompetência surgiu espaço para a Secretaria da Paz, uma canoa furada que só navega no manjadíssimo mar de corrupção do estado de Alagoas.

Durante anos o jornalista Tavernard Neves, de Belém do Pará, mandava para o Brasil pelas ondas do Rádio o Toque do Mestre, momento de um comentário lúcido sobre esportes, política, vida social do passado, enfim sobre qualquer assunto que merecesse um ajuste de suas sábias palavras. Tavernard, aos oitenta anos, nos deixou esta semana, deixando uma poltrona vazia também no programa Porque Hoje é Sábado, da Rádio Cultura FM 107,9 de Porto Velho, onde falava via Internet.

Quem será o mestre do governo municipal capaz de um toque, um toque que acabe com a herança da corrupção petista, com a herança da incompetência, com a herança das obras inacabadas, quem dará o toque de mestre? “É preciso que o discípulo da sabedoria tenha o coração grande e corajoso. O fardo é pesado e a viagem longa”.

O mestre Confúcio nos ensinou que “não são as ervas más que afogam a boa semente, e sim a negligência do lavrador”, mas parece que nosso homônimo governante não entendeu a metáfora e continua negligenciando o comando, com seu toque incompetente, nos proporcionando uma lavoura sem frutos, comprometendo o futuro do PMDB no estado.

 williamhaverly@gmail.com

Detalhes biográficos: baiano de nascimento, mas rondoniense de paixão, cursou Direito na UFBA e licenciou-se em Letras pela UNIR, é professor, escritor, presidente da ACRM – Associação Cultural Rio Madeira e vice-presidente da ACLER – Academia de Letras de Rondônia, onde ocupa a cadeira 31.             

Mais Sobre Opinião

A fogueira das vaidades

A fogueira das vaidades

O que até agora era bravata, “não é insulto, é o jeito dele”

O bom do silêncio

O bom do silêncio

Bolsonaro disse que não adianta exigir dele a postura de estadista, por que não é estadista.

Meu cargo, minha vida

Meu cargo, minha vida

Bolsonaro se revelou um profundo conhecedor da natureza humana

Cada quadrado no seu quadrado

Cada quadrado no seu quadrado

Os argentinos são como são. E não querem nem aceitam conselhos.