Quarta-feira, 17 de junho de 2026 - 14h31

É comum, no dia 8 de março,
autoridades, políticos e dirigentes públicos destacarem a trajetória individual
de uma ou outra figura do gênero feminino que deixou o seu legado no mercado de
trabalho e granjeou, por isso mesmo, o respeito da sociedade. É justo que assim
aconteça. Afinal, além do natural reconhecimento ao mérito, dá-se, também,
visibilidade a propostas de vida cujo sucesso pode inspirar milhares de outras mulheres
que, infelizmente, ainda são discriminadas e oprimidas no país da impunidade.
Mas a realidade é preocupante.
Recentemente, o jornal Expressão Rondônia trouxe farto material jornalístico
revelando um dos quadros mais cruéis da sociedade sobre a violência a que
mulheres são submetidas, principalmente dentro de casa. Os números apontados na
matéria são expressivos e indicam duas situações: 1, o quanto a prática é comum
em todas as classes sociais e 2, uma nova postura diante dessa agressão, a de
denunciar. Considero uma decisão importante incluir matérias sobre o assunto na
pauta, até para dar mais visibilidade a respeito do drama das vítimas e,
consequentemente, provocar posições de incentivo ao debate e conscientizar os
que nos governam - se é que isso é possível.
Os governos, como se pode aferir
em Rondônia, têm sido lentos demais na tomada de decisão que produza, no
cenário estadual e municipal, uma estrutura eficiente para proteger e
incentivar às vítimas a denunciarem seus agressores, inclusive, assistindo-as,
psicologicamente. A maioria dos políticos, por sua vez, só sabe apresentar
moção de aplauso reverenciando a data, enquanto as delegacias especializadas
batem recordes de ocorrências. Nem precisa dizer quão altos são os custos dessa
violência. Alguns, sem retorno, porque deixam sequelas que jamais serão
superadas, ou porque as vidas foram ceifadas. Não basta apenas investir em
campanha publicitária pelo fim da violência doméstica. Paralelo a isso, é
preciso colocar em funcionamento uma estrutura eficiente para atender às
vítimas.
Quarta-feira, 17 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)
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