Porto Velho (RO) domingo, 21 de julho de 2019
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O SABONETE CHAVISTA

Imagino Simon Bolívar olhando a montanha de dinheiro para comprar um simples sabonete na Venezuela!!


O SABONETE CHAVISTA - Gente de Opinião

Imagino Simon Bolívar olhando a montanha de dinheiro para comprar um simples sabonete na Venezuela!! No mínimo diria: fodeu-se! Fizeram tudo errado! O general venezuelano lutou pela independência da Bolívia, Panamá, Colômbia, Peru, Equador e Colômbia. Em memória aos seus ideais é que foi criado o termo "Bolivarianismo", uma proposta ideológica que mistura pan-americanismo, republicanismo, marxismo, socialismo, latino-americanismo e anticapitalismo! É ismo que não acaba mais! Infelizmente a tradução objetiva desses ismos todos é o fracassionismo expresso na foto, onde um sabonete só pode ser adquirido com uma pilha de dinheiro.

O vulcão inflacionário de 1000.000% em doze meses carbonizou a moeda venezuelana, transformando o "bolívar soberano" a pó pecuniário de valor infinitesimal. Lá, com um salário mínimo compra-se apenas um frango congelado. A migração está calculada em 2,300 milhões desde 2004. O país é um caos democrático, social e econômico. Porque vão investir 06 bilhões de dólares no país, os russos acabaram de chegar com seus aviões de guerra na terra de Hugo Chavez! Do ponto de vista prático e econômico não estão errados, não. O preposto de Trump, aquele a quem o capitão reformado e diplomado bateu continência, esteve aqui para articular um ataque fulminante à pátria de Nicolás Maduro. Com os russos na área, quem se atreve?? É a Rússia capitalista salvando a economia da Venezuela socialista! Pode isso, Arnaldo? Pode! Neste neocontexto pode!

O marxismo ortodoxo (aquele que jurava por Deus e nossa Senhora que a teoria socialista era uma ciência, e como tal estava apontando na direção histórica incontestável e que a sociedade socialista superaria dialeticamente a sociedade capitalista e a humanidade chegaria no redentor Comunismo) desabou junto com o Muro de Berlim e o desmonte da União Soviética. No entanto, na América-Latina ficou um rescaldo do esquerdismo à moda antiga, tendo a experiência cubana como referência. Quando esse esquerdismo se mescla ao caudilhismo, ao personalismo e ao marxismo requentado e defasado, dá num bolivarianismo tipo esse aí da Venezuela, que sem dúvida sofre os efeitos das contradições geopolíticas regionais, onde os Estados Unidos lideram uma frente reacionária de combate ao esquerdismo, ao socialismo e até mesmo à simples proposta de social-democracia. De fato. O Tio Sam sempre abriu fogo às propostas de sociedades justas e igualitárias na América-Latina. Os EUA apoiaram todas as ditaduras militares na região, inclusive a do Brasil, em 1964, que recebe apoio da chamada Operação Brother Sam, uma força-tarefa composta por porta-aviões da marinha americana deslocada do caribe para dar sustentação aos militares golpista, caso as coisas dessem errado. Mas a República Boliviana de Evo Morales segue firme, singrando em mar aberto rumo à realização dos seus projetos sociais! Mas a Nicarágua do sandinista Daniel Ortega já começa a desandar!

Mas imputar unilateralmente os Estados Unidos pelo fracasso do esquerdismo venezuelano ou brasileiro é de um simplismo muito rasteiro! Seria como dizer que os Estados Unidos são o principal responsável pela queda de Dilma Rousself, a má administração petista e a prisão de Lula da Silva, ou a eleição do capitão fascista. A doença do esquerdismo de que falava Lênin leva muitos militantes a essas concepções também doentias e equivocadas, e até cômodas porque desonera a esquerda de fazer autocrítica junto à sociedade. É muito fácil dizer que a culpa é da direita, do capital ou dos burgueses. Difícil para a esquerda, especialmente a petista, é exercitar o pensamento e avaliação autocrítica, procurando ver nos seus próprios atos políticos, partidários e administrativo onde foi que errou e porque errou e com quem errou. A declarações de Antônio Palocci, antes santo e agora diabo, indicam com clareza o descaminho percorrido. Um cenário geopolítico é como um tabuleiro de xadrez, onde cada pedra guarda relação direta ou indireta com as demais. No entanto, como numa partida de xadrez, a vitória ou a derrota dependente fundamentalmente do próprio jogador, e não necessariamente do adversário. Apesar de deixar muitos saldos positivos, dos inegáveis e bem sucedidos projetos sociais levados a cabo pelo governo Lula, a esquerda petista fracassou, não se reciclou, não se reinventou, sucumbiu ao maquiavelismo, aos conchavos e aos mecanismos de corrupção para obter a governabilidade. A direita de Aécio Neves, Eduardo Cunha, Michel Temer e Bolsonaro aproveitou, forjou o cenário e deu o golpe! A maioria dos 513 picaretas homologou a criminalização política de Dilma, abrindo espaço para o período de caça às bruxas que desaguou na prisão de Luís Inácio Lula da Silva, o maior líder político da América Latina, que hoje está em cana.

Guardadas as devidas diferenças, na Venezuela parece ter acontecido a mesma coisa. O esquerdismo chavista também fracassou! A economia foi a bancarrota e a democracia entrou em decadência por lá. As ferramentas sociológicas e filosóficas do marxismo não viraram sucata! Mas precisam ser reutilizadas com criatividade, com uma reelaboração capaz de produzir resultados eficientes, não necessariamente para construir a sonhada sociedade comunista, descartada que está neste contexto onde o capitalismo reina soberano e onde até mesmo nações comunistas como a China se dão ao luxo de criar o Estado Comunista de economia capitalista. Cerca de 200 empresas operam em Cuba atualmente. Cuba está tentando se reinventar! Esses dados da reengenharia ideológica, social e econômica do mundo, dentre muitos outros, devem nortear a concepção de um plano de governo que mantenha os ideais de justiça social, todavia com uma dinâmica política que leve conta as novas contradições e situações do próprio reino do capitalismo, que já não pode ser interpretado ortodoxamente como regime do Mal. O esquerdismo chavista, hoje comandado por Nicolás Maduro, parece insistir nessa miopia, no exercício de um esquerdismo da época da tomada de Cuba por Fidel Castro, o grande Che Guevara e Camilo Sinfuego! Soy loco por ti América! - disse Caetano Veloso. Nós também amamos a América Latina! Mas precisamos reinventar o socialismo, como disse Roberto Freire do antigo Pcbão.

 

 

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