Quarta-feira, 27 de novembro de 2013 - 12h20
Juan Quirós*
As manifestações populares que ocorrem no Brasil, desconsiderando-se, obviamente, a lamentável ação de baderneiros, depredadores e vândalos, revelam uma insatisfação com a persistência de antigos problemas no setor público. A despeito dos avanços verificados nos últimos vinte anos em termos de equilíbrio monetário, inclusão social e ascensão de renda de parcela expressiva da população, o Estado persiste em velhos vícios e segue não atendendo a sociedade de modo adequado.
Assim, é necessário implementar eficiência, de modo que as políticas públicas contribuam para ampliar a competitividade nacional, cujo equacionamento implica as reformas estruturais (tributária, previdenciária e trabalhista), a modernização da infraestrutura e inovação tecnológica. Outro item importante é encontrar soluções efetivas para o definitivo financiamento da infraestrutura, equacionando-se os gargalos dos transportes e de energia.
As máquinas administrativas governamentais, nas esferas federal, estadual e municipal, precisam de um choque de gestão, de modo que assimilem a cultura de resultados das empresas. Nesse sentido, é importante que ocorra maior participação de empresários na política e em cargos do setor público. Isso, como demonstram algumas experiências bem-sucedidas, como ocorreu com o programa federal de exportações no período entre 2003 e 2006, pode conferir mais eficiência, produtividade e qualidade aos organismos da administração direta e indireta do Executivo e aos órgãos do Legislativo.
O conhecimento, dinâmica, capacidade de gestão e foco em resultados dos empresários somam-se à experiência e capacidade dos servidores públicos, constituindo um novo modelo para o atendimento às demandas do Estado. A população é a principal beneficiária desse processo, pois se aprimoram os serviços, agilizam-se os procedimentos e se melhora a relação custo-benefício dos elevados impostos pagos pelos brasileiros.
Desenvolver e consolidar um novo modelo na gestão do setor público é importante para o Brasil, que ainda precisa avançar muito no aprimoramento de áreas prioritárias, como saúde, educação, saneamento básico, infraestrutura e segurança, essenciais ao desenvolvimento nacional. São setores nos quais se observam avanços, mas que ainda precisam elevar-se a um padrão melhor de qualidade, eficiência e atendimento mais amplo às demandas.
O debate desses temas deverá permear cada vez mais a pauta nacional, não só no âmbito da sociedade civil, como nos partidos políticos, que são as grandes bases de captação dos anseios populares e de sua conversão em propostas de governo. Por este aspecto, também é relevante a participação de empresários na vida partidária e na disputa de cargos eletivos no Executivo e no Legislativo. Sua experiência e empreendedorismo contribuem para que projetos economicamente viáveis, socialmente justos e ambientalmente corretos, como recomenda o mais contemporâneo conceito de sustentabilidade, sejam transpostos do plano dos debates para as ações programáticas governamentais.
A participação de empresários na vida política nacional significa efetiva contribuição para o avanço do País. Suas ideias, sugestões e plataformas programáticas são conteúdos preciosos para o aprimoramento do Estado, a busca de soluções para os gargalos brasileiros e a formulação de todas as respostas aos questionamentos que a sociedade vem fazendo.
*Juan Quirós é presidente do Grupo Advento e do LIDE Campinas (Grupo de Lideranças Empresariais) e vice da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
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