Quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Opinião

O perigo de misturar política com religião


Valdemir Caldas - Gente de Opinião
Valdemir Caldas

Considero perigoso a ideia de misturar religião com política. A política, como nós sabemos, é um campo minado, onde predominam inveja, discórdia, traição e, principalmente, corrupção, coisas que vão na contramão do que prega a palavra de Deus, cuja essência é o amor, a misericórdia, a caridade e o respeito ao próximo.

De tempos a este, políticos e líderes religiosos, cada vez mais preocupados com seus interesses, com as devidas exceções, insistem em misturar as coisas de Deus com as coisas do mundo e, quando isso acontece, o resultado é sempre desastro. A história mundial está repleta de exemplos do que aconteceu quando esses dois universos se juntaram.

Tenho respeito e admiração pelo segmento evangélico, em cujo terreno construí amizades sinceras. Só discordo quando algumas denominações resolvem mistura religião com política, cedendo, inclusive, seus púlpitos, que é um local sagrado, reservado para pregação da palavra de Deus, para serem usados por políticos demagogos e bravateiros.

O pastor da Igreja Assembleia de Deus Vencer em Cristo, Silas Malafaia, é uma pessoa muito importante e reconhecida na sua área de trabalho. Ele foi um dos maiores apoiadores de Jair Bolsonaro. Chegou a comprar briga com quase todo mundo por causa do ex-presidente. Dias atrás, Malafaia deixou políticos e religiosos boquiabertos, ao fazer severas críticas ao ex-comandante do Brasil, chamando-o de ‘covarde e omisso’ por causa do seu papel nas eleições de São Paulo. Na prática, Malafaia queria uma atuação mais efetiva de Bolsonaro na campanha de Ricardo Nunes, o que não aconteceu.

Estudiosos do comportamento humano garantem que a conduta de Malafaia apenas revela seus próprios interesses, típico de alguém que quer ser protagonista. Independentemente dos motivos que levaram Malafaia a partir em tropelia contra alguém cujo projeto político ele abraçou abertamente, inclusive participando de manifestações pró-Bolsonaro, seu gesto causou uma péssima impressão, sobretudo porque isso acaba maculado a obra do Reino, que não tem nada que ver com as obras da carne na qual a política está inserida. 

Gente de OpiniãoQuarta-feira, 4 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Marcos Rocha: de volta ao jogo político?

Marcos Rocha: de volta ao jogo político?

Pelo que se tem lido na imprensa, parece que o governador de Rondônia, cel. Marcos Rocha, encontrou um partido para chamar de seu. Trata-se do PSD,

BR-364: pedágio veio para ficar

BR-364: pedágio veio para ficar

A cobrança do pedágio na BR-364 não é uma novela mexicana como muitos, de forma confortável, ainda pensam. Muito menos achar que, de uma hora para o

Mesmo com a redução de repasse, Câmara Municipal segue inchando a folha de pagamento com nomeações

Mesmo com a redução de repasse, Câmara Municipal segue inchando a folha de pagamento com nomeações

A Câmara Municipal de Porto Velho diz que não tem dinheiro para pagar direitos de servidores que se aposentaram há três, quatro anos ou mais, mas, e

A magia do período eleitoral

A magia do período eleitoral

É comum, em período eleitoral, políticos e candidatos encontrarem soluções milagrosas para os inúmeros problemas que angustiam a população. Por exem

Gente de Opinião Quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)