Quinta-feira, 10 de outubro de 2024 - 12h52

Considero
perigoso a ideia de misturar religião com política. A política, como nós
sabemos, é um campo minado, onde predominam inveja, discórdia, traição e,
principalmente, corrupção, coisas que vão na contramão do que prega a palavra
de Deus, cuja essência é o amor, a misericórdia, a caridade e o respeito ao
próximo.
De tempos
a este, políticos e líderes religiosos, cada vez mais preocupados com seus
interesses, com as devidas exceções, insistem em misturar as coisas de Deus com
as coisas do mundo e, quando isso acontece, o resultado é sempre desastro. A
história mundial está repleta de exemplos do que aconteceu quando esses dois
universos se juntaram.
Tenho
respeito e admiração pelo segmento evangélico, em cujo terreno construí
amizades sinceras. Só discordo quando algumas denominações resolvem mistura
religião com política, cedendo, inclusive, seus púlpitos, que é um local
sagrado, reservado para pregação da palavra de Deus, para serem usados por
políticos demagogos e bravateiros.
O pastor
da Igreja Assembleia de Deus Vencer em Cristo, Silas Malafaia, é uma pessoa
muito importante e reconhecida na sua área de trabalho. Ele foi um dos maiores
apoiadores de Jair Bolsonaro. Chegou a comprar briga com quase todo mundo por
causa do ex-presidente. Dias atrás, Malafaia deixou políticos e religiosos
boquiabertos, ao fazer severas críticas ao ex-comandante do Brasil, chamando-o
de ‘covarde e omisso’ por causa do seu papel nas eleições de São Paulo. Na
prática, Malafaia queria uma atuação mais efetiva de Bolsonaro na campanha de
Ricardo Nunes, o que não aconteceu.
Estudiosos
do comportamento humano garantem que a conduta de Malafaia apenas revela seus
próprios interesses, típico de alguém que quer ser protagonista. Independentemente
dos motivos que levaram Malafaia a partir em tropelia contra alguém cujo
projeto político ele abraçou abertamente, inclusive participando de
manifestações pró-Bolsonaro, seu gesto causou uma péssima impressão, sobretudo
porque isso acaba maculado a obra do Reino, que não tem nada que ver com as
obras da carne na qual a política está inserida.
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