Segunda-feira, 25 de abril de 2011 - 12h44
Prof. Diogo Tobias Filho*
A Páscoa é tempo de orações, jejuns e atos similares para os rondonienses seguidores da tradição cristã ocidental. É também tempo de faturamento do comércio com propagandas rebuscadas exibindo múltiplas variedades de produtos, mormente ovos de páscoa, nem sempre acessíveis às camadas populares. Dentre elas, uma parcela significativa de funcionários públicos.
Aconteceu que num destes grandes supermercados presenciei uma cena triste, melancólica, mas enternecedora. Uma seção inteira exibia uma variedade de ovos de chocolate, chamativa, colorida, de marcas famosas e de forte apelo consumista aos infantes presentes. São os pecados irresistíveis do capitalismo globalizado que nos oferece o que não se pode comprar.
A minoria mais abastada elevava seus filhos às gondolas para escolha daquelas finas iguarias e saíam todos sorridentes. Cada pimpolho com seu troféu sob os braços, rejubilados pelo regalo concedido pelos pais. Quanta bonança.
Entre tantos consumidores, apenas um senhor baixo, roupa simples, olhar melindroso, chamou-me a atenção. Segurando o bracinho do seu neto que insistia em apontar-lhe a direção dos ovos de páscoa. Diante da negativa, chorava copiosamente, irredutível, sem querer ouvir as explicações do avô, já encabulado, de que aquele produto era caro e não cabia no seu orçamento.
Ao me aproximar, indaguei-lhe sobre a saia justa e ele, sensível e constrangido, confirmou que o seu rebento era duma teimosia medonha, mas não podia realizar seu desejo, sobretudo porque, o preço do produto era maior do que as taxas de água e energia da sua modesta casa.
Por curiosidade consultei-o sobre seu trabalho, sua profissão. Era servidor de apoio da educação, fazia serviços gerais na escola e lidava há mais de trinta anos como funcionário público. Lembrava-me saudoso que se fosse à época do Coronel Jorge Teixeira, não estaria passando por aquela humilhação. Longos anos de dedicação lhe retribuíam na atualidade pouco mais de seiscentos reais, o que o obrigava a uma vida limitada, digna somente de sacrifícios.
Alguns burgueses presentes ouviam nossa prosa na mais enfadonha omissão. Assim como omisso está o Rei, seus auxiliares, seus potentados de apoio, todos se refestelando com fartura e graça, mesa cheia de guloseimas, pois tiveram seus salários largamente recheados de chocolate à custa dos contribuintes. Orçamento e justificativa para isso, o Rei tem de sobra.
Não tive dúvidas, tive atitude. Saquei da carteira o dinheiro que deveria também ser o passaporte para minha primeira páscoa depois que abandonei a carreira de professor e presenteei o pirralho com um ovo da melhor qualidade sob o olhar de incredulidade do avô.
Voltei pra casa sem comprar nada, carregando apenas um coração repleto de alegria por ter praticado aquela inesperada boa ação: dar a uma criança pobre o mesmo ovo de chocolate servido na mesa do Rei.
*O autor ex-professor de filosofia – E-mail: digtobfilho@hotmail.com
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