Sábado, 27 de abril de 2013 - 21h38
Por Humberto Pinho da Silva
Tive amigo, companheiro de escola, com quem conversava muitas vezes. Isto é modo de falar, ou melhor escrever, porque o nosso diálogo não passava de simples monólogo.
Nada dizia de interessante; usava frases feitas; repetia o que ouvia na TV, sem coar pelo parecer próprio; sempre a mão direita permanecia estendida, tocando-me como pretendesse acordar-me; e para desdita minha, enchia-me o rosto de vastos perdigotos, que saiam-lhe dos lábios, como repuxo de jardim.
Seu pensamento borboleteava à volta do bairro onde nascera e vivia; e os amigos eram colegas de trabalho.
Aos sábados, após o farto almoço, corria para o centro comercial, ao encontro de antigos colegas da firma, onde trabalhara, e discutia, a grandes vozes, intrigas passadas.
Nunca praticou desporto; raras vezes foi ao teatro; nunca assistira a conferências; e julgo que o único livro que lera, foram os compêndios por onde estudara.
Fugia dele, não que fosse má companhia, muito pelo contrário, mas sua conversa era maçadora e cansativa.
Hoje lembrei-me dele, ao ler “ Os Caracteres” de Teofrasto - filosofo grego, discípulo de Aristóteles e Platão.
Teofrasto descreve, no capítulo “ Da rusticidade” algumas catedráticas do meu amigo: “ Parece-me que a rusticidade não é outra coisa senão a ignorância das boas maneiras. Vê-se, com efeito, pessoas rústicas, e sem reflexão, saírem um dia da medicina - dias em que se faziam tratamentos, que provocavam mau hálito, - não fazendo diferença entre o odor e os perfumes mais delicados; (…) falar alto e não saber reduzir a um tom de voz moderado (…). A gente vê-os assentados com vestidos levantados até aos joelhos, e de uma forma indecente. Acontece-lhe que, em toda a vida nada admiraram, nem parecem surpreendidos com as coisas mais extraordinárias que surgem nos caminhos, mas se for um boi ou um burro ou um bode, logo param a contemplá-lo. Se entram na cozinha, logo comem avidamente tudo que encontram, bebem dum trago, uma taça de vinho, escondem-se, para isso, da sua criada (…).
“ E quando vão pela rua perguntam às primeiras pessoas que encontram: a que preço está o peixe salgado? As peles vendem-se bem? (…). Outras vezes não sabendo que dizer, dizem: - Vou fazer a barba. Saí apenas para isso.”
Pela amostra pode-se avaliar que o ser humano pouco evoluiu, pois esta descrição, escrita nos anos 372-287 A. C., fotografa, com ligeiras diferenças, devido á época o comportamento de muitos do século XXl.
A ciência evolui, mas o homem, na essência continua sempre o mesmo.
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