Quarta-feira, 14 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Opinião

O homem é sempre o mesmo


Por Humberto Pinho da Silva

Tive amigo, companheiro de escola, com quem conversava muitas vezes. Isto é modo de falar, ou melhor escrever, porque o nosso diálogo não passava de simples monólogo.

Nada dizia de interessante; usava frases feitas; repetia o que ouvia na TV, sem coar pelo parecer próprio; sempre a mão direita permanecia estendida, tocando-me como pretendesse acordar-me; e para desdita minha, enchia-me o rosto de vastos perdigotos, que saiam-lhe dos lábios, como repuxo de jardim.

Seu pensamento borboleteava à volta do bairro onde nascera e vivia; e os amigos eram colegas de trabalho.

Aos sábados, após o farto almoço, corria para o centro comercial, ao encontro de antigos colegas da firma, onde trabalhara, e discutia, a grandes vozes, intrigas passadas.

Nunca praticou desporto; raras vezes foi ao teatro; nunca assistira a conferências; e julgo que o único livro que lera, foram os compêndios por onde estudara.

Fugia dele, não que fosse má companhia, muito pelo contrário, mas sua conversa era maçadora e cansativa.

Hoje lembrei-me dele, ao ler “ Os Caracteres” de Teofrasto - filosofo grego, discípulo de Aristóteles e Platão.

Teofrasto descreve, no capítulo “ Da rusticidade” algumas catedráticas do meu amigo: “ Parece-me que a rusticidade não é outra coisa senão a ignorância das boas maneiras. Vê-se, com efeito, pessoas rústicas, e sem reflexão, saírem um dia da medicina - dias em que se faziam tratamentos, que provocavam mau hálito, - não fazendo diferença entre o odor e os perfumes mais delicados; (…) falar alto e não saber reduzir a um tom de voz moderado (…). A gente vê-os assentados com vestidos levantados até aos joelhos, e de uma forma indecente. Acontece-lhe que, em toda a vida nada admiraram, nem parecem surpreendidos com as coisas mais extraordinárias que surgem nos caminhos, mas se for um boi ou um burro ou um bode, logo param a contemplá-lo. Se entram na cozinha, logo comem avidamente tudo que encontram, bebem dum trago, uma taça de vinho, escondem-se, para isso, da sua criada (…).

“ E quando vão pela rua perguntam às primeiras pessoas que encontram: a que preço está o peixe salgado? As peles vendem-se bem? (…). Outras vezes não sabendo que dizer, dizem: - Vou fazer a barba. Saí apenas para isso.”

Pela amostra pode-se avaliar que o ser humano pouco evoluiu, pois esta descrição, escrita nos anos 372-287 A. C., fotografa, com ligeiras diferenças, devido á época o comportamento de muitos do século XXl.

A ciência evolui, mas o homem, na essência continua sempre o mesmo.
 

Gente de OpiniãoQuarta-feira, 14 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Juiz americano joga pá de cal nas pretensões de Vorcaro

Juiz americano joga pá de cal nas pretensões de Vorcaro

Foi preciso que um juiz americano, motivado por um acionista do Banco Master, reconhecesse a legalidade do processo de liquidação da instituição par

Motorista Nota 10: a Ideia Visionária que Humaniza o Trânsito Brasileiro após 32 anos

Motorista Nota 10: a Ideia Visionária que Humaniza o Trânsito Brasileiro após 32 anos

O Brasil — e toda a humanidade — avança graças a homens pensantes, cujas ideias visionárias combatem epidemias sociais como a violência no trâns

O voto da diáspora - direito ou privilégio?

O voto da diáspora - direito ou privilégio?

Do “Portugal ingrato” ao debate sobre quem merece representaçãoO debate sobre o direito de voto dos emigrantes portugueses regressa ciclicamente a

A política não é ambiente para fanfarrões

A política não é ambiente para fanfarrões

A hipocrisia está presente em quase todas as relações humanas, porém, é na política, que ela se mostra com maior desembaraço, principalmente no perí

Gente de Opinião Quarta-feira, 14 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)