Terça-feira, 21 de abril de 2009 - 20h30
Bruno Peron Loureiro
O tema do petróleo veicula-se com animosidades, discursos e paixões. Em se tratando de um recurso natural imprescindível ao modelo de desenvolvimento capitalista em vigor, convencionaram-se posições no ranking mundial em função do potencial de "ouro negro" que cada país possui ou da produção de barris por dia.
A descoberta da reserva de Tupi na costa brasileira, onde ninguém precisou ainda a quantidade que aguarda exploração, tem provocado reações distintas no mundo, comentários ácidos ou celebrativos pelos maiores produtores na América Latina (México e Venezuela), deduções, incertezas e especulações.
As notícias mais otimistas vêm dos países de maior desenvolvimento econômico. Divulga-se em jornais europeus que o Brasil se situa, com as descobertas recentes, entre os oito maiores produtores do mundo e, assim, deixa de ser líder regional para ocupar posição de destaque no globo ao lado de países como China, Índia e Rússia. Alguns deles não se destacam pela produção de petróleo, porém.
Das especulações, algumas são tão preocupantes quanto divertidas, como a de que os Estados Unidos já cogitam transferir navios para vigiar o trabalho marítimo de extração de petróleo no Brasil. Desse jeito, logo Hollywood lança um filme onde os famigerados terroristas ameaçariam a infra-estrutura da Petrobrás e os Estados Unidos seriam convocados para investigar o caso.
Enquanto a tecnologia de hidrogênio como fonte alternativa, não-poluidora, sustentável e renovável de energia continua trancada a sete chaves para não ameaçar o negócio altamente lucrativo do óleo, os países comparam-se em função deste recurso natural que um dia se esgotará.
O Brasil começou a preocupar-se seriamente, desde a campanha de Monteiro Lobato nos anos 1930, pela nacionalização dos recursos do subsolo, que culminou na criação do Conselho Nacional do Petróleo (CNP) em 1939. Logo veio a campanha "O petróleo é nosso" no início dos anos 1950. O país não abriria mão desta riqueza.
A Petrobrás (Petróleo Brasileiro S/A) foi criada em 1953 por Getúlio Vargas. A projeção mundial que obteve ao longo das décadas provocou um interesse crescente do setor privado, tanto que, em agosto de 1997, abriu-se a indústria brasileira de petróleo à iniciativa privada, enquanto, no mesmo ano, criou-se a Agência Nacional do Petróleo (ANP). A empresa cedeu parte do patrimônio público ao atrativo de extrair, produzir e lucrar mais.
Hoje o capital social da empresa se distribui em até 40% de investimento estatal e 60% privado, enquanto o Estado possui 55,7% de capital com direito de voto. Não é à toa que Lula propôs a criação de uma segunda empresa estatal do setor petrolífero. Isso foi depois do anúncio de que o Brasil atingiu auto-suficiência em petróleo em abril de 2006 com a exploração de uma nova plataforma na Bacia de Campos.
Lula reiterou sua orientação política esquerdista pela pretensão de socializar o lucro da Petrobrás, portanto temendo a expansão percentual de acionistas privados. As disputas energéticas dificultam o resguardo de patrimônios. Ainda mais quando os países que mais consomem petróleo têm poder de influir em qualquer região do mundo.
Não se devem poupar esforços no que tange a interesses estratégicos nacionais. O Brasil aceitou o desafio. E está preparado para ele.
Bruno Peron Loureiro é bacharel em Relações Internacionais pela UNESP (Universidade Estadual Paulista).
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