Terça-feira, 18 de março de 2025 - 13h39

No presente artigo farei algumas considerações sobre a
queda de popularidade do presidente Lula, que passou de 37% para 24%. Quero comentar
a recente pesquisa da Quaest Pesquisa e Consultoria em sete Estados que
representam 62% da população brasileira. Vejamos, pois, os números da avaliação
do governo Lula.
No Estado de São Paulo, 55% dos entrevistados avaliaram as qualidades do governo,
e apenas 16% positivamente. Na Bahia, a avaliação positiva é de 30%, enquanto a
negativa chega a 38%. Em Goiás, a negativa é de 58% e a positiva, de 18%. No
Rio Grande do Sul, a negativa é de 52% e a positiva, de 19%. Em Minas Gerais, a
negativa é de 51% e a positiva, de 22%. No Paraná, a negativa é de 59% e a
positiva, de 20%. Apenas em Pernambuco a avaliação positiva se aproxima da
negativa: a negativa é de 37% e a positiva, de 33%. No Rio de Janeiro, a
negativa é de 50% e a positiva, de 19%.
Percebe-se, portanto, que o governo Lula está derretendo.
O presidente Lula tem sido alertado sobre os principais problemas do seu
governo não só pelos grandes economistas brasileiros, mas também por este
modesto advogado de província. A verdade é que ele não quer enfrentar os fatos.
Ele prefere viver de narrativas que conduzam ao quadro apontado na pesquisa.
Como visto, os números apontados na pesquisa representam 62% do eleitorado e
são de regiões diversas: Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. As variações
são de 51% contra 19%. A avaliação negativa do presidente Lula chegou a um
nível tal que não há narrativa que possa superar esse derretimento do governo
que, não querendo mudar, parece estar desorientado, sem direção.
Tenho a sensação de que, se não enfrentar seriamente o problema, o governo Lula
vai ser o pai da inflação. A previsão do mercado já é de 5,67% contra o teto
máximo previsto pelo presidente de 4,5%. Ela está crescendo e estamos vendo que
a população não aceita mais narrativas.
Não adianta contar histórias, pois as que nos têm sido exemplos são ingênuas,
exageradas ou inverossímeis, pouco confiáveis ou fantasiosas.
Não são histórias da realidade brasileira.
Chegou o momento, efetivamente, do governo deixar de pensar em narrativas, vinganças
e que é o grande defensor da democracia e pensar que deve ser o grande defensor
do povo brasileiro. Ele precisa é mudar sua orientação econômica.
É que o Brasil está afundando. Está entrando no campo minado da inflação.
Estamos enfrentando brigas necessárias com o exterior e querendo regular a
opinião pública por meio de decretos que impeçam o povo de falar, sendo que,
com esse derretimento do governo, o povo tem que criticar.
E a crítica ao governo gera, evidentemente, um ambiente muito ruim para o país.
O problema não é controlar a opinião pública, mas sim as despesas, os gastos, a
corrupção e tudo aquilo que começa a se preocupar.
Enfim, se o presidente Lula não fizer a lição de casa, qualquer candidato
lançado, conservador e moderado, ganhará a próxima eleição. Ou ele muda sua
política, ou, evidentemente, será condenado a passar, talvez, para a história
como o pai da inflação. E se tem algo que nenhum brasileiro deseja é que a
inflação volte para o país.
Ives
Gandra da Silva Martins é professor emérito das
universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de São Paulo,
das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Superior de Guerra
(ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal – 1ª Região, professor
honorário das Universidades Austral (Argentina), San Martin de Porres (Peru) e
Vasili Goldis (Romênia), doutor honoris causa das Universidades de Craiova
(Romênia) e das PUCs PR e RS, catedrático da Universidade do Minho (Portugal),
presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio -SP, ex-presidente da
Academia Paulista de Letras (APL) e do Instituto dos Advogados de São Paulo
(Iasp).
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