Sexta-feira, 9 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Opinião

O amanhã dos refugiados



Gabriel Bocorny Guidotti
Bacharel em Direito e estudante de Jornalismo
Porto Alegre – RS
 
------------------------------
 
Em meio à crise de refugiados na Síria, é natural que as expectativas por soluções se concentrem em países de maior poderio econômico. Nos Estados Unidos, o tema é recorrente nos debates dos pré-candidatos do Partido Republicano à presidência. Donald Trump, o ricaço excêntrico, está entre eles. Recentemente, Trump polemizou ao comentar sobre a situação de cidadãos sírios que conseguiram refúgio em terras norte-americanas. “Se eu ganhar, eles vão voltar (para a Síria)”, afirmou.
 
A reação de entidades defensoras dos direitos humanos foi instantânea na imprensa e nas redes sociais. Trump sempre deixou clara sua posição contrária ao acolhimento de refugiados, algo que impulsionou diversas brincadeiras em programas de talk show americanos. O fulgor na defesa de seus pensamentos, entretanto, pode ter sido fatal nas eleições do partido. As mais recentes pesquisas mostram que o magnata, antes líder absoluto, agoniza nas intenções de voto, perdendo para o médico americano Ben Carson.
 
A crise dos refugiados é humanitária, não política. Nos Estados Unidos, há forças que lutam pela aceitação dos migrantes em solo nacional, a exemplo da colonização que aconteceu no país séculos atrás. A bem da verdade, ninguém quer virar salvador de todos os refugiados do mundo. Fronteiras estão sendo fechadas na Europa. Afinal, de quem é a responsabilidade? A comunidade internacional pode se eximir dos motivos que ensejaram o êxodo na Síria?
 
Não se trata da vida de um único garotinho encontrado morto nas praias da Turquia. O problema é global, incitado pelo potencial bélico de grupos cujo único propósito é afrontar a dignidade dos outros. De suas mansões e cassinos, Donald Trump parece estar longe demais da realidade cruel vivida pelos refugiados da Síria. Ele sempre foi um homem rico, nunca precisou lutar por nada. Lutar por sobrevivência, tampouco.
 
A imagem do corpo do pequeno Aylan Kurdi não pode ser esquecida. Relembrou os piores horrores da Segunda Guerra Mundial. Note, os horrores continuam e tendem a continuar caso os Estados Unidos eleja um bon vivant insensível. Quantos mais precisarão morrer até que possamos obter um pouco de tranquilidade e paz? Nossa espécie é uma só. Ajudar o outro constituiu responsabilidade de cada ser humano.

Gente de OpiniãoSexta-feira, 9 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

A política não é ambiente para fanfarrões

A política não é ambiente para fanfarrões

A hipocrisia está presente em quase todas as relações humanas, porém, é na política, que ela se mostra com maior desembaraço, principalmente no perí

Medalhas que inspiram o futuro da ciência

Medalhas que inspiram o futuro da ciência

Quando a teoria ganha o céu de maneira prática, o interesse genuíno dos estudantes aumenta. Áreas que antes não atraíam jovens passam a ganhar espaço.

Maduro e o cofre de ouro na Suíça

Maduro e o cofre de ouro na Suíça

O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, enviou à Suíça R$ 5,2 bilhões em ouro entre 2013 e 2016, dinheiro esse que agora está congelado pelo governo

A Realidade Cínica do Sistema Internacional

A Realidade Cínica do Sistema Internacional

DIREITO INTERNACIONAL: UM ESPAÇO DE CONTESTAÇÃO JURÍDICA DESIGUALPara nos debatermos sobre o Direito Internacional é preciso muito sangue frio, po

Gente de Opinião Sexta-feira, 9 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)