Porto Velho (RO) terça-feira, 20 de agosto de 2019
×
Gente de Opinião

Opinião

Nassif: Janot trabalha em sintonia com PSDB


Gente de Opinião
 
Por Luís Nassif, no Jornal GGN

Como alertamos, será cada vez mais difícil o sistema de poder conviver com a hipocrisia escancarada, desvendada pelas redes sociais, Internet e por essa maldição chamada de liberdade de imprensa - ainda que restrita aos veículos alternativos.

À medida em que seus passos vão sendo desvendados, por vazamentos imprevistos, notícias escondidas em pé de página por antecipação de jogadas óbvias, cria-se a necessidade de explicações, satisfações, aumentando a confusão.

É a velha máxima de que tudo que começa com uma mentira fica prisioneiro dela, precisando sucessivamente criar novas mentiras para sustentar a inicial.

Vamos a um breve rescaldo dos últimos capítulos do Xadrez.

Gilmar x Lava Fato

É o caso do Ministro Gilmar Mendes, acusado aqui de ter atiçado seus blogueiros contra a apresentação da Lava Jato, sobre a denúncia de Lula, com o propósito de preparar o terreno para futuras investidas.

No dia seguinte, o blogueiro em questão escreveu caudaloso artigo mostrando como ele era dono se seu nariz e não dava satisfações a ninguém. E Gilmar, sem que nada lhe fosse perguntado, correu a elogiar a decisão da denúncia, ainda que de forma dúbia: a denúncia é boa porque, finalmente, vai permitir a Lula se defender. O que não deixa de ser uma verdade. Mas passou recibo.

No STF, não foi bem-sucedida a tentativa de levar o Ministro Luiz Fux para a Segunda Turma – que julga a Lava Jato -, em lugar de Carmen Lúcia. Quem assumirá será o ex-presidente Ricardo Lewandowski.

Não será garantia de penas mais brandas, mas de isonomia e defesa da legalidade dos procedimentos. Aliás, agora que as chamas da Lava Jato se voltam contra o PSDB, veremos o reaparecimento do grande garantista Gilmar Mendes.

Chama atenção um paradoxo intrigante, neste país de paradoxos. Na despedida, o legalista Lewandowski fez um discurso saudando o século 21 como o século do Judiciário – aliás, no mesmo tom da palestra que deu em seminário do Brasilianas de fins de 2013. Trata-se de uma tendência perigosíssima, como se está vendo hoje em dia na atuação desmedida do Ministério Público e da Polícia Federal.

A crítica à tese partiu de Dias Toffoli, que sabiamente alertou para o risco representado por uma república de juízes, mais perigoso que uma república de militares, como foi em 1964,

Lava Jato x Procurador Geral da República

Monta-se o jogo de cena com a capa de Veja, da suposta delação de Léo Pinheiro, presidente da OAS, a um não-crime do Ministro do STF Dias Toffoli. Imediatamente, deflagram-se três movimentos:

1. O PGR Janot ordena o cancelamento das negociações da delação de Pinheiro, que estava pronto para denunciar Aecio Neves e José Serra por crime de corrupção 

2. Gilmar Mendes sai a campo, atacando a Lava Jato.

3. O ataque de Gilmar provoca um sentimento de autodefesa na Lava Jato, do qual Janot se vale para arrancar uma nota conjunta, assinada por todos os procuradores, endossando a decisão de suspender a delação de Pinheiro.

Passam alguns dias, o jogo vai clareando, e o que ocorre?

1. Sérgio Moro convoca Léo Pinheiro para mais uma rodada de depoimento.

2. Pinheiro fala nas propinas pagas a José Serra e Geraldo Alckmin, e a delação é vazada para O Globo por integrantes da Lava Jato.

São cutucadas óbvias no PGR já que Serra, por ser senador e Ministro, tem foro privilegiado.

Mas Janot continua a passos de tartaruga pingando em conta-gotas denúncias contra nomes de menor peso. Na semana passada, denunciou o apagadíssimo senador Valdir Raupp (PMDB-RO).

A suposição de que talvez esteja conduzindo investigações sigilosas sobre Aécio Neves e José Serra esbarra em uma evidência: até agora não há nenhuma informação de que Dimas Toledo (homem de Aécio em Furnas) e Paulo Preto (homem de Serra no DNER) tenham sido sequer convocados para prestar depoimento.

Ora, eles são tão importantes para os esquemas Serra-Aécio quanto Paulo Roberto Costa para o PMDB e PP e Nelson Duque para o PT. Qual a razão desse esquecimento?

Os vazamentos contra Serra e Aécio estão chegando por tabela, como informação subsidiária de delatores pressionados a delatar Lula e o PT. E até agora Janot não reviu sua posição de voltar a negociar a delação de Pinheiro. Provavelmente porque ficou muito óbvio que o ponto central seria convencer Pinheiro a livrar Serra e Aécio de acusações de enriquecimento pessoal.

Dois fatos adicionais comprovam a luta pessoal de Janot na Lava Jato:

1. A mesquinharia de manter a acusação de "obstrução da Justiça" aos questionamentos da defesa de Lula, mesmo após o MInistro Teori Zavascki ter voltado atrás e retirado a expressão da sua sentença.

2. A informação da Folha de hoje (18.09.2016) de que a Lava Jato aproveitou pedaços da delação anulada de Léo Pinheiro contra Lula. Se a delação era necessária, qual a razão de Janot em procurar anulã-la? Obviamente blindar Aécio Neves.

Eduardo Cunha x rapa

A entrevista de Eduardo Cunha ao Estadão comprova algumas previsões do Xadrez:

1.     Já começou a antropofagia no grupo golpista.

2.     A aliança Rodrigo Maia + PSDB é uma das hipóteses em jogo. Cunha acrescentou nela Moreira Franco, sogro de Maia.

3.     O TSE (Tribunal Superior Eleitoral), através de seu presidente Gilmar Mendes, está jogando com prazos de julgamento da chapa Dilma-Temer para impedir eleições diretas, caso a condenação se dê ainda em 2016. E também para manter Temer sob rédea curta, com a possibilidade de ser condenado em 2017. Nesse caso, assumiria o presidente da Câmara.

4. Janot aumentará seu protagonismo no jogo político, podendo desovar denúncias contra o PMDB, dentro de sua aliança tácita com Aécio e o PSDB.

Mais Sobre Opinião

Meu cargo, minha vida

Meu cargo, minha vida

Bolsonaro se revelou um profundo conhecedor da natureza humana

Cada quadrado no seu quadrado

Cada quadrado no seu quadrado

Os argentinos são como são. E não querem nem aceitam conselhos.

Feliz dia de quem matou os pais!

Feliz dia de quem matou os pais!

Dia em que Suzane von Richthofen e Alexandre Nardoni estão de férias da prisão.

Brasil,  192 anos dos Cursos  Jurídicos  Salve o dia 11 de agosto, dia dos advogados

Brasil, 192 anos dos Cursos Jurídicos Salve o dia 11 de agosto, dia dos advogados

O Brasil, último país a acabar com a escravidão tem uma perversidade intrínseca na sua herança, que torna a nossa classe dominante enferma de desigual