Terça-feira, 17 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Opinião

Mudança cultural para um novo Brasil


                              Juan Quirós*

         Fala-se muito na imprensa e nos círculos empresariais, com justificadas razões, sobre a necessidade de se realizarem as chamadas reformas estruturais, principalmente a política, a previdenciária, a tributária e a trabalhista, sempre postergadas pelo Congresso Nacional e o Governo Federal. Sem dúvida, elas são mesmo necessárias para adequar o arcabouço legal brasileiro às realidades mais contemporâneas dos cenários mundiais. No entanto, mesmo que efetivadas, terão efeito limitado como fator de estímulo e crescimento econômico se o Brasil não empreender uma ampla transformação cultural, focada de modo firme no desenvolvimento.

         Esse processo, no qual já estamos atrasados a esta altura da segunda década do Século XXI, assenta-se sobre três vertentes essenciais: a postura da classe política; a atitude dos empresários; e, atrelado a ambas, um consistente choque de produtividade. É premente refletir sobre isso e partir para a ação. Não há mais tempo a perder!

         No primeiro caso, é preciso que os ocupantes de cargos eletivos no Poder Executivo e no Legislativo coloquem cada vez mais os interesses do Brasil acima das questões partidárias e políticas. O debate nos anos eleitorais, como este 2014, os embates programáticos e filosóficos, a permanente vigilância das oposições e a retórica são enriquecedores para a democracia. Permitem a troca de ideias, a participação da sociedade nas discussões dos grandes temas nacionais e possibilitam que a opinião pública posicione-se.

No entanto, governantes e parlamentares não podem nortear sua gestão e seu trabalho tendo como parâmetro essencial as próximas eleições, como se o cotidiano nacional fosse uma novela voltada a conquistar pontos de audiência, conforme as emoções, o humor e as preferências do público. A prioridade é a solução dos problemas, a expansão do PIB, a qualidade do ensino e da saúde, os investimentos públicos e a gestão eficaz. Quanto à oposição, não deve ficar torcendo pelo caos para ter mais argumentos de crítica contra a situação e tentar vencê-la nas urnas. Encerrada cada eleição, a classe política deve trabalhar em favor e não contra o País. É assim que ocorre na maioria das nações que conquistaram o desenvolvimento.

         Quanto aos empresários, a mudança cultural que deles se espera transcende à sua já decisiva e importante missão de empreender, investir, criar empregos, gerar riquezas e pagar impostos. É necessário que se engajem de modo mais efetivo na política, na mobilização cidadã da sociedade, no debate dos grandes temas e na proposição de mudanças positivas. Sua experiência, capacidade de gestão e olhar pragmático do mundo são elementos essenciais para o aperfeiçoamento do setor público e o avanço do Brasil.

         A terceira grande mudança cultural diz respeito ao choque de produtividade, de modo a se atender às exigências e expectativas dos grandes investidores: recursos humanos qualificados e eficientes; logística eficaz; e inovação. O nosso fantástico mercado de 200 milhões de habitantes não é mais suficiente para atrair investimentos produtivos, que miram nossos consumidores, mas podem conquistá-los, neste mundo globalizado, com produtos fabricados em qualquer lugar do Planeta. O capital para ampliar e erguer novas fábricas e empresas da área de serviços somente ficará e virá para o Brasil se tivermos alta produtividade em todo o sistema econômico.

         Sem essas três mudanças culturais, continuaremos por muito tempo a ser uma economia de renda média e dificilmente alcançaremos os padrões das nações desenvolvidas. Seguiremos com baixo crescimento do PIB, discutindo medidas pontuais para a correção de rumos e priorizando as urgências, em detrimento das estratégias. Enquanto isso, assistimos a numerosas outras nações, com potencial muito menor do que o nosso, decolarem para um futuro de prosperidade!

*Juan Quirós épresidente do Grupo Advento e do LIDE Campinas (Grupo de Lideranças Empresariais) e vice-presidente da FIESP.

Gente de OpiniãoTerça-feira, 17 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Mutilação genital feminina

Mutilação genital feminina

O Martírio silencioso e a Urgência de ver e atuar Um relógio humano marca, a cada onze segundos, uma mutilação genital feminina no mundo. Este não

Acabar o Bolsa Família, por quê?

Acabar o Bolsa Família, por quê?

         A sociedade brasileira é uma das mais injustas do mundo quando o assunto é política econômica. Aqui se tem uma das maiores desigualdades so

Lava-jato é café pequeno perto do escândalo do Banco Master

Lava-jato é café pequeno perto do escândalo do Banco Master

Aí do homem por quem vem o escândalo! Essa passagem está no livro de Mateus, 18,7. Segundo estudiosos da Bíblia, esse “Aí” significa lamento, triste

Os rebotalhos querem voltar ao poder

Os rebotalhos querem voltar ao poder

Oficialmente, ainda não foi dado o tiro de largada da corrida para a sucessão do governador de Rondônia. Cel. Marcos Rocha, mas, nos bastidores, já

Gente de Opinião Terça-feira, 17 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)