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Marchando no escuro


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“Lá vão os olavetes/em louca arrancada/xingando o inimigo/tinindo as espadas. Para que? Para nada”. Mas esta paródia dos Cavaleiros de Granada, de Cervantes, não é exata: em vez de “para nada”, pode ser “para o desastre”.

 

A manifestação deste domingo, parece, é contra os políticos, o Supremo, os manifestantes da semana passada. A marcha pode ser um êxito, pode dar para o gasto, pode fracassar. Se fracassar, é péssimo para o presidente. Se apenas der para o gasto, é ruim para o presidente. Se tiver êxito, estará hostilizando entidades de que Bolsonaro precisará para que seu Governo siga em frente: do Congresso, por exemplo, depende a reforma da Previdência, depende a aprovação do projeto anticrime de Moro. E depende o crédito extraordinário para que o Governo aguente os gastos até o fim do ano.

 

Neste momento, boa parte do Governo está desnorteada. Moro funciona, embora mais fraco. Ministros como o da Infraestrutura e a da Agricultura vão bem. E Paulo Guedes é a esperança de que volte o crescimento na economia, gerando algum emprego. No mais, quem cuida da casa é o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (que se articula com Guedes), aliado ao Centrão, dois dos alvos da marcha. Se o Centrão e Maia cruzarem os braços, haverá vácuo de poder, que será logo preenchido por alguém. Bolsonaro, se a manifestação der muito certo? Talvez. Mas Collor tentou e, ao falhar, selou sua queda. Jânio tentou e voltou, mas só como prefeito, quase 30 anos depois.

 

Lembrando

 

Collor jogou tudo numa manifestação em que todos deveriam vestir verde e amarelo. Quem foi, foi de preto. O vice de Collor era desconhecido, mas a aposta foi nele (e Itamar acabou sendo bom presidente). O vice de Jânio era João Goulart, que despertava desconfiança nas Forças Armadas e na classe média. Mesmo assim Jânio não teve apoio. Já Bolsonaro tem um vice militar, bem visto por seus colegas, e que surpreendeu boa parte da opinião pública por seu bom senso. Os bolsonaristas mais radicais poderiam ouvir companheiros como o presidente do PSL, partido de Bolsonaro, ou Janaína Paschoal, bolsonarista e autora do pedido de impeachment de Dilma. Ambos têm sérias dúvidas sobre o que o presidente pode ganhar com a manifestação.

 

Lição

 

Jornais, TV, rádio e Internet se referem ao ato como “protesto a favor de Bolsonaro”. Este colunista é do tempo em que protesto só podia ser contra.

 

Vira, vira

 

Lembra-se da primeira briga de Bolsonaro com seu até então amigo de fé Gustavo Bebianno? Culminou com a demissão do ministro que tinha sido o chefe de sua campanha. Bebianno marcou audiência com o vice-presidente de Relações Institucionais da Globo, e Bolsonaro, furioso, por não admitir que inimigos fossem recebidos no palácio, mandou-o suspender a reunião.

 

Pois é: ontem, Bolsonaro recebeu no palácio o vice-presidente de Relações Institucionais da Globo, o mesmo Paulo Tonet Camargo, em companhia do ministro Onyx Lorenzoni e do empresário de comunicações Vicente Jorge Espíndola Rodriguez. Nada como um dia depois do outro (e bons contatos).

 

Gasta que é nosso

 

Se o Congresso não votar um crédito suplementar de R$ 249 bilhões, o Brasil para. Os parlamentares sabem que a crise é brava. Mas o Senado já contratou algumas dezenas de novos assessores. E a Câmara se prepara para gastar mais R$ 30 milhões com serviço de segurança privada para deputados. Já existe segurança na Câmara (o apelido é Polícia Legislativa), há a Federal. Com mais 274 contratações, daqui a pouco será preciso ampliar os prédios do Congresso, ou o exército de assessores e seguranças não caberá nos atuais.

 

Paga, Santander

 

O Tribunal de Justiça de São Paulo apontou o Banco Santander como “exemplo de desrespeito ao Judiciário” por não ter cumprido ordem judicial para devolver a um cliente pouco mais de mil reais indevidamente retidos.

 

O caso: o Santander reteve esta quantia e o correntista recorreu à Justiça. O banco foi condenado a devolver o valor, sob pena de multa diária de R$ 500,00. Levou quatro anos e meio para cumprir a ordem judicial; a multa atingiu R$ 580 mil, mas o Tribunal de Justiça a reduziu para R$ 40 mil, sob a alegação de que a lei proíbe que haja enriquecimento por este processo. Mas o relator do caso, desembargador Roberto McCracken, determinou que o processo fosse enviado ao Banco Central, Procon, Ministério Público de São Paulo e Defensoria Pública, para as providências cabíveis.

 

Sem armas

 

site Diário do Poder (www.diariodopoder.com.br), de Brasília pediu ao Instituto Paraná Pesquisas um levantamento sobre posse de armas. O que se apurou: 60,9% dos entrevistados não querem armas em casa, e 36,7% as querem. As mulheres são as que mais rejeitam as armas: 70,6%. Os homens também são contra, mas por maioria menor: 47,6%.

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