Sexta-feira, 29 de abril de 2011 - 19h34
“Todos os outros são culpados, menos eu” (Celina)
Os acontecimentos recentes no canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Jirau chocaram a todos nós. Segundo a versão divulgada pela empresa e imprensa, ocorreu “uma revolta generalizada no canteiro de obras, com depredação de alojamentos, veículos e equipamentos.”. Incendiar os alojamentos e seus pertences teria sido a forma encontrada pelos trabalhadores para reclamar das condições de trabalho a eles impostas. Tal versão, responsabilizando os trabalhadores pelos acontecimentos gerou um clima de medo em Porto Velho. Lojas e escolas fecharam as portas. Boatos de saques em lojas e supermercados espalharam-se por todos os lugares. Ao final, depois de passarem dias alojados em locais sem condições básicas de higiene, 7.000 trabalhadores foram mandados de volta aos seus estados de origem.
A quem interessou a divulgação dessa versão? A quem interessou propagar o medo? Como a rigorosa segurança não notou a entrada da grande quantidade de combustível utilizada nos incêndios? Por que apenas alguns ônibus, alojamentos e pertences dos trabalhadores foram queimados, sem que refeitórios/cozinhas, máquinas e equipamentos utilizados para produção da UHE Jirau fossem atingidos? Há muita coisa ainda a ser esclarecida sobre o que de fato ocorreu a partir da noite do dia 15 de março.
Uma coisa, entretanto, a cada dia fica mais clara: o desrespeito do Consórcio ESBR - Energia Sustentável do Brasil, formado pelas empresas Suez Energy, Eletrosul, Chesfe Camargo Corrêacom os direitos dos trabalhadores e das populações que serão atingidas pela construção da UHE Jirau.
O reflexo social, econômico, cultural e político maio dessas duas grandes obras é em Porto Velho e Jacyr Paraná. O que demonstra que nem a sociedade e nem os órgãos públicos estavam suficientemente preparados para estes fatos e os que ainda estão por acontecer. Basta ver a situação do trânsito, segurança, saúde, fiscalização, inclusive setores de iniciativa privada e economia local. Isto gerou o aumento do custo de vida, dos preços do aluguel e a explosão de venda de imóveis.
As tais obras de compensação definidas para diminuir os enormes impactos causados em Porto Velho realmente atendem as necessidades desta população?
Queremos uma cidade e uma vida melhor, mas não somente para alguns. O desenvolvimento, além de sustentável, deve servir para alcançar o BEM COMUM.
Nós que aqui nascemos e Nós que para cá viemos dos mais diferentes cantos do Brasil e do mundo afirmamos, com orgulho e gratidão, que RONDÔNIA É NOSSA CASA. É nesta terra que estamos criando nossos filhos. É dela que tiramos o sustento diário para nossas famílias. É aqui que celebramos os momentos de alegria e que choramos as tristezas que a vida nos traz. É neste chão que pretendemos descansar. Portanto, é nossa obrigação impedir que Rondônia, mais uma vez, tenha sua riqueza explorada apenas para saciar o apetite da ganância de poucos.
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