Segunda-feira, 26 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Opinião

Kennedy: com Serra, Itamaraty passou de bombeiro a incendiário


Gente de Opinião

POR KENNEDY ALENCAR, em seu blog

Sob o comando do senador José Serra (PSDB-SP), o Ministério das Relações Exteriores do Brasil deixou de ser bombeiro e passou a agir como incendiário _contrariando uma linha diplomática adotada, em maior ou menor grau, desde a redemocratização em 1985.

O Itamaraty tem contribuído para aumentar a crise do Mercosul. Brasil, Argentina e Paraguai se opõem à posse da Venezuela na presidência rotativa do bloco político e comercial. O Uruguai apoia a pretensão venezuelana. Há um confronto em curso que precisaria ser esvaziado, por se tratar de querela menor perante os desafios do Mercosul. No entanto, a contenda é alimentada pelo Brasil.

Tanto no governo FHC, correligionário de Serra, como nas administrações do PT, o Brasil teve boa relação com a Venezuela e procurou exercer um papel moderador, atuando para amenizar conflitos no país vizinho e também no subcontinente.

Hugo Chávez chamava FHC de “mi maestro” e considerava o tucano um aliado que lhe ajudou a enfrentar turbulências com os Estados Unidos e a Colômbia, por exemplo. Nos governos de Lula e Dilma, já havia muita crítica interna a Nicolás Maduro, presidente que sucedeu Chávez e agravou a crise venezuelana.

O Itamaraty precisa entender que Maduro, acossado pelo avanço do referendo revogatório, passará em breve. Já a Venezuela continuará a existir e voltará a ser um mercado importante para o Brasil e seus parceiros do Cone Sul.

Hoje, a Venezuela é um país em crise aguda, com indicadores sociais e econômicos semelhantes aos de nações em guerra. O Itamaraty deveria estar empenhado em construir condições para diminuir essa catástrofe. No entanto, pega bem bater no fantasma bolivariano, sobretudo para quem tem pretensões políticas. Isso agrada a um segmento conservador da opinião pública brasileira. Dá manchete, ainda que seja atitude equivalente a chutar cachorro morto.

O governo interino não chegou ao poder para mudar a política externa. A ascensão de Michel Temer ocorreu a fim de dar respostas às crises econômica e política, que são domésticas. Abrir demais o leque pode ser arriscado, mas isso é tema para outro texto.

É um erro o Brasil adotar a diplomacia do porrete com a Venezuela. Deveria buscar uma solução consensual e equilibrada. Aquela linha defendida por Chico Buarque é a correta: o Brasil não deve falar fino com os Estados Unidos, nem grosso com a Bolívia e o Paraguai. Deve falar de igual para igual, exercendo na América Latina uma liderança natural pelo seu peso geopolítico, moderada por respeito à sua tradição e positiva para produzir resultados concretos.

Gente de OpiniãoSegunda-feira, 26 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Campanha eleitoral não é guerra civil

Campanha eleitoral não é guerra civil

Não há donos da Democracia como quereriam regimes autoritários No FB circulam os seguintes dizeres: “Em vez de cantarmos: "contra os canhões, marc

A suposta "crise" nas faculdades de medicina e a estratégia do CFM para assumir competências do MEC e impor o exame caça-níqueis da OAB para médicos

A suposta "crise" nas faculdades de medicina e a estratégia do CFM para assumir competências do MEC e impor o exame caça-níqueis da OAB para médicos

O noticiário que ocupou as primeiras páginas dos jornais brasileiros: Conselho Federal de Medicina quer barrar atuação de cerca de 13.000 médicos que

A importância de se criar o Conselho de Assistência Médica

A importância de se criar o Conselho de Assistência Médica

O Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores Públicos do Município de Porto Velho (IPAM) possui o Conselho de Previdência, um órgão coleg

Trump prenderá Kim Jong-un?

Trump prenderá Kim Jong-un?

          A Coreia do Norte é inimiga dos Estados Unidos desde que terminou a fatídica Guerra da Coreia entre 1950 e 1953. Conflito este que dividiu

Gente de Opinião Segunda-feira, 26 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)